
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que a guerra contra o Irã pode terminar em breve, ao mesmo tempo em que enfrenta pressões internas para apresentar um plano de saída do conflito. Alguns conselheiros do presidente têm manifestado preocupação com o aumento dos preços do petróleo e com possíveis impactos políticos caso a guerra se prolongue.
Em declarações a jornalistas na Flórida na segunda-feira, Trump afirmou que a operação militar estaria próxima de cumprir seus objetivos e sugeriu que o fim das ações pode ocorrer rapidamente. “Estamos muito à frente do cronograma”, disse o presidente, acrescentando que acredita que o conflito estará encerrado “muito em breve.”
Trump também declarou estar desapontado com a escolha de Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei — morto recentemente — como novo líder supremo do Irã. A nomeação é vista por autoridades americanas como um sinal de que o governo iraniano não pretende recuar diante da pressão militar dos Estados Unidos e de Israel.
Além disso, pesquisas recentes indicam que a maioria dos americanos é contrária à guerra, segundo pessoas familiarizadas com os dados apresentados ao presidente.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, rejeitou as informações de que haveria divergências internas significativas. “Essa história está cheia de bobagens vindas de fontes anônimas que, posso garantir, não estão na sala com o presidente Trump.”
Ela acrescentou que “os principais assessores do presidente estão focados 24 horas por dia, sete dias por semana, em garantir que a Operação Epic Fury continue sendo um enorme sucesso, e o fim dessas operações será determinado pelo comandante em chefe.”
Na segunda-feira, porém, declarou ao New York Post que estava “nem perto” de autorizar uma operação desse tipo. Mesmo após sugerir que o conflito poderia terminar em breve, acrescentou: “Podemos ir mais longe, e vamos ir mais longe.”
De acordo com atuais e ex-funcionários do governo americano, Trump também já indicou, em conversas públicas e privadas, que apoiaria a eliminação de Mojtaba Khamenei caso o novo líder iraniano se recuse a atender às exigências de Washington.
Petróleo e impacto econômico O avanço da guerra provocou forte volatilidade nos mercados de energia. Em determinado momento, o preço do petróleo ultrapassou US$ 100 por barril, o que aumentou a preocupação entre aliados do presidente sobre os efeitos econômicos e eleitorais do conflito.Stephen Moore, conselheiro econômico externo de Trump, alertou para as consequências do aumento no custo da energia. “Quando o preço da gasolina e do petróleo sobe, todo o resto também sobe. Como a questão da acessibilidade já era um problema, isso gera desafios reais.”
Investigação sobre ataque mortal O presidente também comentou um ataque com míssil Tomahawk que atingiu uma escola no Irã e deixou 175 mortos. Inicialmente, Trump havia atribuído o bombardeio ao próprio governo iraniano, mas depois recuou.“Acho que é algo que me disseram que está sob investigação.” Ele acrescentou que está “disposto a conviver” com uma investigação para determinar os responsáveis pelo ataque.
Investigadores militares americanos avaliam preliminarmente que forças dos Estados Unidos podem ter sido responsáveis pelo disparo do míssil, segundo informou anteriormente o Wall Street Journal.
Escalada militar Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, forças americanas atingiram milhares de alvos iranianos, incluindo prédios governamentais, bases militares e instalações ligadas ao programa de mísseis balísticos, de acordo com autoridades dos Estados Unidos.
O governo Trump afirma que o objetivo central da campanha é impedir que o Irã ameace os EUA e seus aliados regionais, destruindo partes do programa nuclear e da capacidade militar de Teerã. O Irã respondeu com ataques de mísseis e drones contra bases americanas e contra alvos em países do Oriente Médio, incluindo aeroportos internacionais e refinarias de petróleo.
Segundo o Comando Central dos EUA, sete militares americanos morreram e outros oito ficaram gravemente feridos desde o início das hostilidades.
Enquanto isso, o Departamento de Estado informou que mais de 36 mil cidadãos americanos já retornaram aos Estados Unidos vindos da região desde o começo da guerra.