
A inflação voltou a acelerar no Brasil em março e surpreendeu o mercado financeiro ao ficar acima das projeções. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, registrou alta de 0,88% no mês, com combustíveis e alimentos liderando a pressão sobre o custo de vida.
Juntos, esses dois grupos concentraram a maior parte do avanço do índice, refletindo tanto fatores internos quanto impactos do cenário internacional.
No setor de transportes, os preços subiram 1,64%. A gasolina foi a principal responsável pelo resultado, com alta de 4,59% e o maior impacto individual no IPCA. Já o diesel apresentou aumento ainda mais expressivo, de 13,90%, ampliando os custos do transporte de cargas em todo o país.
Esse movimento ocorre em meio à instabilidade no mercado global de petróleo. Tensões geopolíticas envolvendo países do Oriente Médio, além de ataques a estruturas energéticas, reduziram a oferta da commodity e elevaram o risco de desabastecimento, pressionando os preços internacionais.
Com o diesel mais caro, o efeito se espalha pela economia. O aumento no custo do frete acaba sendo repassado ao consumidor final, encarecendo produtos, especialmente os alimentos.
Diante desse cenário, o governo federal anunciou, no início de abril, medidas para tentar conter uma alta ainda maior. O pacote inclui subsídios ao diesel, apoio ao gás de cozinha e crédito para companhias aéreas. As ações foram oficializadas por meio de medida provisória, decretos e envio de projeto ao Congresso Nacional, com impacto fiscal bilionário no curto prazo.
No grupo Alimentação e bebidas, a alta foi de 1,56% em março, com contribuição relevante para o índice geral. A alimentação no domicílio avançou 1,94%, registrando o maior aumento desde abril de 2022.
Entre os principais vilões estão itens básicos do dia a dia. O leite longa vida subiu 11,74% e o tomate teve disparada de 20,31%, influenciados pela menor oferta e pelos custos logísticos mais elevados.
Apesar do resultado acima do esperado, analistas apontam sinais de desaceleração em alguns indicadores. A média dos núcleos da inflação recuou de 0,62% em fevereiro para 0,44% em março, mantendo a tendência de queda no acumulado em 12 meses, que chegou a 4,39%.
Por outro lado, o índice de difusão, que mede o quanto os aumentos de preços estão espalhados, avançou de 61% para 67%, indicando que a inflação atinge um número maior de produtos e serviços.
Resumo do IPCA de março de 2026
Alta no mês 0,88%
Acumulado no ano 1,92%
Acumulado em 12 meses 4,14%

