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Fósseis inéditos colocam o Piauí no mapa da paleontologia mundial

Foto: Juan Carlos Cisneros

Uma descoberta feita no interior do Piauí colocou o estado em evidência no cenário internacional da paleontologia. Pesquisadores identificaram, pela primeira vez na América do Sul, fósseis de sinapsídeos primitivos popularmente conhecidos como “pelicossauros”, animais que viveram muito antes do surgimento dos dinossauros e dos mamíferos modernos.

Os vestígios foram encontrados nos municípios de Nazária e Palmeirais e pertencem a espécies que habitaram a região há cerca de 280 milhões de anos, durante o período Permiano. Até então, registros desse grupo estavam concentrados principalmente em áreas da América do Norte e da Europa, o que torna o achado no Brasil um marco para a compreensão da distribuição desses animais pelo antigo supercontinente Gondwana.

O material analisado faz parte de pesquisas realizadas na Formação Pedra de Fogo, na Bacia do Parnaíba, uma das áreas geológicas mais importantes do país para o estudo da fauna do período Permiano. A partir da análise das estruturas preservadas, foi possível identificar características típicas de sinapsídeos, grupo que reúne os ancestrais distantes dos mamíferos.

Entre os fósseis estão fragmentos de mandíbula com dentes adaptados à predação e partes de vértebras associadas a animais de grande porte. Esses elementos indicam que a região abrigava predadores terrestres de médio e grande porte, ampliando o que se conhecia sobre a cadeia alimentar da época.

A nova identificação também muda a forma como os cientistas enxergam o ambiente do Piauí no Permiano. Além de grandes corpos d’água e animais aquáticos já conhecidos, o território também era ocupado por vertebrados terrestres que desempenhavam papel importante no equilíbrio ecológico do período.

Com o avanço da pesquisa, o conjunto de fósseis da Formação Pedra de Fogo passa a revelar um ecossistema mais complexo, com diferentes níveis de predadores e presas, reforçando o potencial científico da região para estudos sobre a evolução da vida terrestre.

O trabalho foi desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Piauí em parceria com cientistas de outras instituições, com apoio de órgãos de fomento à pesquisa. As análises e dados utilizados no estudo foram disponibilizados em plataformas científicas, permitindo que outros especialistas aprofundem as investigações sobre a fauna que viveu no Piauí há centenas de milhões de anos.

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