Mais da metade das vítimas já passou por necropsia; Defensoria e Comissão de Direitos Humanos acompanham perícias em meio a denúncias de irregularidades
Mais da metade dos 117 corpos resultantes da megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, já passou por necropsia e começou a ser liberada para as famílias nesta quinta-feira (30). O trabalho ocorre no Instituto Médico-Legal (IML) Afrânio Peixoto, no Centro da capital fluminense, que registra intensa movimentação de parentes em busca de informações.
A operação, denominada Contenção, é considerada a mais letal da história do estado, com 121 mortes confirmadas, incluindo quatro policiais civis e militares. As necropsias estão sendo realizadas em regime de mutirão, com apoio de técnicos do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Defensoria Pública. Parte das análises busca verificar denúncias de possíveis execuções durante a ação.

Representantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e da Defensoria Pública acompanharam nesta quinta as perícias no IML. O órgão também solicitou acesso a bancos de dados de outros estados para cruzar informações e agilizar o reconhecimento das vítimas, já que alguns mortos seriam de fora do Rio.
O procurador-geral de Justiça do Estado, Antônio José Campos Moreira, afirmou que o Ministério Público realiza uma investigação independente sobre as circunstâncias das mortes. A apuração inclui o exame de imagens corporais de agentes, embora parte dos registros possa ter sido perdida por falha nas baterias dos equipamentos.
A Operação Contenção mobilizou 2.500 policiais civis e militares, com o objetivo de desarticular o Comando Vermelho e cumprir cerca de 100 mandados de prisão e 150 de busca e apreensão. O confronto mais intenso ocorreu na Serra da Misericórdia, onde dezenas de corpos foram localizados por moradores e levados até a Praça São Lucas, no Complexo da Penha, para identificação.
Depoimentos de moradores relatam cenas de desespero e comoção. Muitos afirmaram nunca ter presenciado tamanha violência. A Polícia Civil restringiu o acesso ao IML a integrantes da corporação e ao Ministério Público. Casos sem relação com a operação estão sendo direcionados ao IML de Niterói. Ainda não há prazo para a conclusão da liberação dos corpos.






