O ex-candidato a vereador de Água Branca, Ivan de Aguiar Miranda, e o vigilante Luís Fernandes Alves da Silva Absolon, morador de Hugo Napoleão, foram condenados pelo assassinato do venezuelano Anderson Miguel Dario Mendonça Marin, ocorrido em 21 de dezembro de 2023, na cidade de Oeiras, Sul do Piauí.
O julgamento ocorreu na quinta-feira (6) no Tribunal Popular do Júri de Oeiras, onde o Conselho de Sentença acolheu integralmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI).
Segundo a decisão, Ivan de Aguiar Miranda foi condenado a 23 anos e 4 meses de prisão, enquanto Luís Fernandes recebeu pena de 20 anos de reclusão, ambos em regime fechado.
O crime
De acordo com a investigação, o crime foi cometido por motivo torpe e com extrema crueldade, sem chance de defesa para a vítima. O venezuelano Anderson Miguel, de 39 anos, trafegava de motocicleta quando foi surpreendido por dois homens em uma moto preta.
Anderson vivia em Oeiras havia cerca de seis anos e trabalhava no setor financeiro e na venda de boletos da sorte. O assassinato chocou a comunidade local pela brutalidade e pelo perfil da vítima, conhecida por ser trabalhadora e discreta.
Investigações e prisões
As investigações da Polícia Civil do Piauí, em conjunto com o Ministério Público, apontaram que Ivan Miranda teria sido contratado para planejar o homicídio. Ele, por sua vez, contratou os vigilantes Luís Fernandes e Genilson Lima de Sousa para executar o crime.
Os dois condenados foram presos temporariamente no dia 9 de setembro de 2024, após a coleta de provas e depoimentos que confirmaram o envolvimento direto na execução.
O terceiro suspeito, Genilson Lima de Sousa, também apontado como participante do crime, foi assassinado em 26 de janeiro de 2024, na cidade de Água Branca, antes de ser julgado. A morte dele ocorreu em circunstâncias que ainda estão sob investigação da polícia.
O julgamento

Durante a sessão do júri, o Ministério Público apresentou provas e testemunhos que comprovaram a autoria e a motivação do crime, sustentando que o homicídio foi premeditado e executado com requintes de crueldade.
O Conselho de Sentença acatou integralmente a tese da acusação, condenando os réus pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
A sentença foi proferida pelo juiz titular da Vara Criminal de Oeiras, determinando o cumprimento imediato da pena em regime fechado.
Contexto e repercussão
O caso teve grande repercussão na região de Oeiras e também em Água Branca, tanto pelo envolvimento de um ex-candidato político, quanto pelo perfil da vítima, um estrangeiro que havia construído sua vida no Piauí.
O delegado responsável pelo inquérito destacou que o assassinato de Anderson Miguel estaria ligado a conflitos financeiros e a atividades ilícitas que vinham sendo investigadas desde o fim de 2023.
Com a condenação, o Ministério Público considerou que a justiça foi feita após um crime bárbaro e premeditado, ressaltando a eficiência da atuação conjunta entre as forças policiais e o Poder Judiciário.
“Foi um crime brutal, com características de execução. As provas apresentadas foram suficientes para demonstrar a autoria e a motivação torpe que levaram à morte da vítima”, declarou o promotor responsável pelo caso.
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