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EUA alertam que podem lançar ofensiva contra a América Latina, inclusive o Brasil

Foto: Roberto Schmidt/AFP

Autoridades do governo dos Estados Unidos afirmaram nesta quinta-feira (5) que o país pode adotar medidas mais duras contra organizações criminosas que atuam em países da América Latina. A declaração foi feita durante uma conferência de segurança realizada em Miami, no Comando Sul das Forças Armadas norte-americanas.

Durante o encontro, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que Washington espera maior comprometimento dos países da região no enfrentamento ao crime organizado. Segundo ele, a preferência do governo americano é atuar em conjunto com nações parceiras, mas deixou claro que os Estados Unidos podem agir por conta própria caso considerem necessário.

Representantes do governo americano defenderam que os países latino-americanos ampliem ações de combate às redes criminosas que atuam no tráfico internacional de drogas. Entre as medidas citadas estão o fortalecimento da cooperação entre forças armadas, compartilhamento de informações de inteligência e realização de operações conjuntas.

De acordo com autoridades presentes na conferência, apenas ações policiais não seriam suficientes para enfrentar grupos criminosos que atuam em diferentes países. Por isso, o uso de estratégias militares passou a ser considerado dentro da nova abordagem discutida pelo governo americano.

Esse posicionamento indica uma mudança na forma como os Estados Unidos tratam o combate ao narcotráfico na região. Tradicionalmente, o país priorizava parcerias voltadas à cooperação policial e ações de investigação. Agora, integrantes do governo defendem que determinados grupos criminosos sejam tratados como ameaças semelhantes a organizações terroristas.

Nos últimos meses, os Estados Unidos já ampliaram iniciativas voltadas ao enfrentamento do tráfico de drogas no continente. Um exemplo citado por autoridades foi o reforço da cooperação com o Equador em operações contra o crime organizado, que incluem apoio e treinamento militar.

O comandante militar Francis Donovan, que participou de ações no país sul-americano, afirmou que os Estados Unidos preferem trabalhar em parceria com os governos locais, mas ressaltou que o país não descarta tomar decisões próprias quando considerar necessário para proteger seus interesses.

Ao justificar a postura mais rígida, o secretário de Defesa mencionou o impacto das drogas na sociedade americana. Segundo ele, mais de um milhão de pessoas morreram por overdose de substâncias como fentanil e cocaína nos Estados Unidos nos últimos anos.

Apesar das declarações, especialistas afirmam que a crise das drogas no país possui causas complexas e internas. Pesquisadores que estudam o tema apontam que fatores como dependência química, desigualdade social e a ampla circulação de drogas sintéticas dentro do próprio território americano também contribuem para o agravamento do problema.

Analistas ainda observam que historicamente o governo americano costuma atribuir parte da responsabilidade pelo narcotráfico a países latino-americanos, enquanto o debate sobre a forte demanda por drogas dentro dos Estados Unidos recebe menos destaque.

A possibilidade de ampliar o uso de ações militares contra o crime organizado na região tem gerado preocupação entre especialistas e autoridades latino-americanas. Alguns avaliam que esse tipo de estratégia pode gerar tensões diplomáticas e levantar questionamentos sobre a soberania dos países do continente.

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