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Entenda as relações que devem arrastar Flávio Bolsonaro para o caso INSS

As suspeitas contra Flávio são indiretas, baseadas em conexões familiares e profissionais de uma administradora de seu escritório de advocacia com o núcleo do esquema, liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente condenado Jair Bolsonaro (PL) e pré-candidato à Presidência da República este ano, tornou-se alvo de um requerimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que investiga um esquema bilionário de fraudes em benefícios previdenciários. O episódio, conhecido como “Caso INSS”, desencadeado a partir da “Operação Sem Desconto”, desencadeada pela Polícia Federal e outros órgãos de controle, envolve descontos indevidos em aposentadorias e pensões, com prejuízos estimados em mais de R$ 6 bilhões a milhões de beneficiários vulneráveis.

As suspeitas contra Flávio são indiretas, baseadas em conexões familiares e profissionais de uma administradora de seu escritório de advocacia com o núcleo do esquema, liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”. Embora por ora não haja conexão direta de envolvimento do senador, o episódio ganha contornos políticos graves, com acusações sobre supostas responsabilidades nesses delitos.

O que é o Caso INSS?

A CPMI do INSS foi instalada em 2025 para apurar irregularidades em descontos associativos e empréstimos consignados feitos sem autorização de aposentados e pensionistas. A investigação revela um esquema sofisticado que inclui a criação de entidades fantasmas para cobrar contribuições indevidas, lavagem de dinheiro via offshores e conexões com o setor financeiro. A Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Desconto em abril de 2025, prendendo figuras como o “Careca do INSS”, apontado como o principal operador do golpe. Documentos analisados pela comissão mostram que as fraudes teriam se intensificado durante o governo Jair Bolsonaro (2019-2022), com omissões em auditorias e facilidades regulatórias que permitiram a ascensão de associações suspeitas. A Controladoria-Geral da União (CGU), sob o governo Lula, realizou auditorias em 2024 que embasaram as ações da PF, desmontando o esquema.

Como Flávio Bolsonaro entra na história?

O nome de Flávio surgiu em um requerimento protocolado em 2 de fevereiro de 2026 pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), que pede a convocação de Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de advocacia “Flavio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia”, fundado em 2021 e registrado no endereço da mansão onde vive o senador, em Brasília. O documento também sugere a quebra de sigilos bancário e fiscal de Letícia e a possível inclusão de Flávio nos depoimentos, argumentando uma “conexão suspeita” entre o senador e o núcleo do “Careca do INSS”.

Quais seriam as ligações

Laço familiar: Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, contador e sócio do “Careca do INSS” em uma empresa offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, usada para suposta lavagem de dinheiro proveniente das fraudes. Alexandre é investigado pela PF por ocultação de patrimônio e foi defendido em processos judiciais pelo advogado Willer Tomaz, aliado próximo de Flávio.

Indicação profissional: Letícia foi indicada para o cargo por Willer Tomaz, que mantém relações políticas e jurídicas com o senador. O requerimento destaca esse “entrelaçamento pessoal, familiar, profissional e político”, questionando se o escritório de Flávio serviu como ponte para interesses do grupo fraudulento.

Flávio Bolsonaro contestou as alegações, afirmando que Letícia não tem qualquer ligação comprovada com o esquema e classificando o requerimento como uma tentativa de perseguição política. Até o momento, a CPMI não aprovou as convocações, mas a retomada dos trabalhos em 5 de fevereiro pode intensificar o debate.

O contexto político e as acusações cruzadas

Flávio, como pré-candidato à Presidência, enfrenta esse episódio em um cenário de herança familiar complicada: seu pai, Jair Bolsonaro, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por ser o líder máximo da tentativa de golpe de Estado que transcorreu no país entre o final de 2022 e o começo de 2023.

No âmbito político, Bolsonaro também foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023 a oito anos de inelegibilidade por abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2022. O grupo bolsonarista, incluindo aliados no Congresso, tem acusado o PT e o governo Lula de demora em combater as fraudes ou de tentar politizar a CPMI. No desespero para desviar o foco de supostas irregularidades, a extrema direita tenta ligar Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho do presidente Lula, ao esquema, algo que a PF investiga, mas sem conclusão alguma até o momento.

Por outro lado, parlamentares petistas e da base governista demonstram que as fraudes foram ignoradas ou facilitadas durante o governo Bolsonaro, com depoimentos na CPMI revelando omissões em auditorias da CGU na época. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) criticou bolsonaristas por falta de “moral” para acusar o atual governo, afirmando que o esquema foi desmontado sob Lula. Em síntese, a depender do rumo que as coisas tomem, as relações indiretas via Letícia Caetano dos Reis colocam Flávio Bolsonaro no radar da CPMI, mas o desenrolar depende de aprovações no colegiado e de evidências concretas da PF.

Revista Fórum
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