
O caso do assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, de 48 anos, em Belo Horizonte, ganhou um novo capítulo com a versão apresentada pelo empresário Renê da Silva Nogueira Júnior. Em depoimento recente à Polícia Civil, ele declarou que não percebeu ter atingido a vítima ao efetuar o disparo.
O que disse o empresário
Renê contou que carregava a arma da esposa, a delegada da Polícia Civil Ana Paula Balbino Nogueira, por medo do trajeto até o trabalho. Ele relatou que houve troca de xingamentos com coletores de lixo e que, durante a discussão, disparou. Segundo sua versão, após o tiro viu garis correndo e acreditou que não havia atingido ninguém. Ele ainda tentou recolher uma munição caída antes de voltar ao carro e seguir sua rotina.
Divergências com testemunhas
Testemunhas relataram que o empresário permaneceu calmo depois do disparo e seguiu normalmente seu dia, o que levanta dúvidas sobre a alegação de que não sabia do impacto. Especialistas em balística também contestam a possibilidade de não perceber o efeito de um disparo a curta distância com a arma utilizada.
Situação judicial
A Polícia Civil indiciou Renê por homicídio duplamente qualificado, porte ilegal de arma e ameaça. A Justiça de Minas Gerais já recebeu pedido do Ministério Público para bloqueio de bens do empresário e da delegada, mas a solicitação foi negada em primeira análise. O objetivo da medida é garantir eventual indenização à família da vítima.
Esposa investigada
A Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais abriu procedimento para apurar a conduta da delegada Ana Paula Balbino Nogueira, já que a arma utilizada no crime era de sua propriedade e estava sob sua responsabilidade.
Repercussão social
O crime reacendeu debates sobre violência no trânsito, porte de armas de fogo e responsabilidade de agentes públicos. Para colegas de trabalho, Laudemir era um funcionário dedicado e sua morte representa não apenas uma tragédia pessoal, mas também um retrato da vulnerabilidade de trabalhadores da limpeza urbana.
Próximos passos
O inquérito deve ser finalizado nos próximos dias e encaminhado ao Ministério Público. A expectativa é de que Renê responda a processo por homicídio qualificado. A família de Laudemir aguarda o desfecho judicial e cobra justiça.






