
Em meio ao impasse comercial entre Brasil e Estados Unidos, empresários brasileiros ouviram de representantes da diplomacia norte-americana que a saída para o aumento tarifário de 50% sobre produtos nacionais passa por decisões políticas, e não econômicas.
A declaração foi feita durante encontro em Washington, no qual integrantes do setor produtivo brasileiro buscaram alternativas para reverter a sobretaxa. O vice-secretário de Estado dos Estados Unidos ressaltou que o componente político é determinante para a continuidade das negociações e indicou que o encaminhamento do tema deve ser liderado pelo governo brasileiro.
No Brasil, o vice-presidente Geraldo Alckmin, que coordena o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais (Cincec), tem reiterado a necessidade de diálogo. O governo também avalia a possibilidade de envolver empresários norte-americanos nas discussões, demonstrando que o impacto das tarifas afeta cadeias produtivas dos dois países.
Como resposta formal, o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços enviaram uma carta oficial ao governo dos Estados Unidos expressando indignação com a medida. O documento, assinado por Alckmin e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destaca que a decisão ameaça a histórica parceria comercial entre os dois países e pede a abertura imediata de negociações.
Paralelamente, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) foi acionada para avaliar possíveis contramedidas no âmbito da Lei de Reciprocidade Comercial. O órgão terá até 30 dias para apresentar um parecer técnico sobre as opções disponíveis, que incluem a possibilidade de aplicação de tarifas equivalentes a produtos norte-americanos, caso não haja avanço diplomático.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou recentemente que não está com pressa em retaliar, defendendo a continuidade do diálogo como principal estratégia. Ainda assim, o governo mantém abertos os caminhos institucionais e jurídicos para contestar a legalidade da medida, inclusive junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Com o avanço das negociações, o setor empresarial brasileiro segue mobilizado em defesa de uma solução que preserve empregos, investimentos e a competitividade internacional do país.






