
A Justiça do Rio de Janeiro decretou, nesta segunda-feira (10), a falência da operadora Oi, marcando o fim de uma trajetória que atravessou quase cinco décadas e refletiu as transformações da telefonia no país. A empresa, que teve origem na antiga Telems, criada em Mato Grosso do Sul para expandir o acesso à telefonia, chegou a ser uma das maiores operadoras do Brasil antes de mergulhar em crises financeiras.
A história começa nos anos 1990, quando a Telems introduziu a telefonia móvel em Mato Grosso do Sul. O primeiro aparelho do estado, um modelo Motorola PT 550, foi entregue ao então governador Pedro Pedrossian. Discreto, o governador repassou o celular ao motorista Benedito Martins, que se tornaria o primeiro usuário de telefonia móvel da região. “Naquela época, era novidade. O número tinha só seis dígitos. Hoje a tecnologia avançou, mas o sinal piorou muito”, lembra Benedito, que ainda mantém o mesmo número adaptado ao novo sistema nacional.
Os primeiros celulares, apelidados de “tijorolas” pelo tamanho e peso das baterias, simbolizavam o início de uma era. A Telems, que mais tarde seria privatizada em 1998 no processo de desestatização do sistema Telebrás, foi incorporada pela Brasil Telecom, responsável pelos serviços de telefonia fixa e móvel no estado. Em 2009, a Oi comprou a Brasil Telecom e assumiu o controle da operação, tornando-se uma gigante nacional do setor.
Com o tempo, a empresa acumulou dívidas bilionárias e enfrentou duas recuperações judiciais. Em 2022, vendeu sua divisão de telefonia móvel para o consórcio formado por Vivo, Claro e TIM, tentando manter a operação de internet de fibra óptica. No entanto, sem conseguir cumprir o plano de reestruturação, a Oi solicitou o reconhecimento do estado de insolvência.
A 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência da companhia e suspendeu todas as ações e execuções contra ela. A operadora deve apresentar uma nova lista de credores, mas continuará funcionando temporariamente para evitar prejuízos à conectividade da população e de órgãos públicos e privados.
A decisão encerra um ciclo que começou com uma estatal regional, passou pela privatização e terminou com o colapso de uma das maiores empresas de telecomunicações do país. A trajetória da Telems até a falência da Oi resume a evolução da telefonia brasileira: um salto da era do telefone fixo para a hiperconectividade digital, ainda marcada por falhas estruturais, má gestão e desigualdades no acesso aos serviços.







