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CRM vistoria Hospital Areolino de Abreu após morte de paciente em Teresina

Inspeção aponta falhas de segurança em hospital psiquiátrico de Teresina.

Uma inspeção foi realizada na manhã desta quinta-feira (26) no Hospital Areolino de Abreu, localizado na zona norte de Teresina, após a morte de um paciente ocorrida durante a madrugada dentro de uma enfermaria da unidade. A ação foi conduzida por representantes do Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI), que apontaram falhas graves na estrutura física e no esquema de segurança do hospital.

De acordo com as informações apuradas, por volta das 2h, dois pacientes internados com transtornos psiquiátricos agrediram outro interno, que acabou morrendo por asfixia. Em seguida, os envolvidos ainda teriam tentado atear fogo em um colchão dentro do banheiro da ala. Agentes de apoio foram acionados após a propagação da fumaça, mas a vítima já estava sem vida quando o socorro chegou.

Hospital Areolino de Abreu é alvo de fiscalização após ocorrência grave.

A vistoria foi acompanhada pelo presidente do CRM-PI, João Moura Fé, o vice-presidente Raimundo Sá e o médico fiscal Juarez Holanda, que percorreram diferentes setores do hospital. Segundo o conselho, o episódio não tem relação com pacientes provenientes do sistema prisional.

Durante a fiscalização, foram identificadas obras inacabadas, com avanço considerado mínimo, além de precariedade na estrutura predial. O CRM-PI também apontou a ausência de vigilância armada, com a segurança restrita a equipe patrimonial e agentes auxiliares. Outro ponto crítico destacado foi a falta de profissionais em quantidade suficiente durante o período noturno, incluindo a ausência de enfermeiro de plantão e número reduzido de médicos para acompanhamento e prescrição dos pacientes internados.

Inspeção revela precariedade na estrutura e no atendimento noturno.

O conselho informou que irá formalizar notificações à Secretaria de Saúde do Estado, cobrando providências urgentes para reforçar a segurança da unidade e melhorar as condições de trabalho dos profissionais e o atendimento aos pacientes.

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do homicídio e a tentativa de incêndio no interior do hospital. O caso reacende o debate sobre o impacto da política antimanicomial no país e a transferência de pacientes submetidos a medidas de segurança determinadas pela Justiça para unidades que, muitas vezes, não dispõem de estrutura adequada nem de equipes treinadas para lidar com situações de risco. Profissionais da área da saúde e entidades médicas têm manifestado preocupação com a falta de investimentos e de protocolos específicos para esse tipo de atendimento.

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