Climério Ferreira celebra 82 anos com obra que segue viva na memória da música brasileira

Neste 27 de março, o Piauí celebra o aniversário de Climério Ferreira – um dos nomes centrais da canção brasileira e da literatura produzida no estado. Aos 82 anos, o poeta mantém viva uma obra que não apenas resistiu ao tempo, mas se incorporou à memória afetiva de diferentes gerações.

Natural de Angical, Climério construiu uma trajetória marcada pelo rigor estético e pela delicadeza verbal. Ao lado dos irmãos Clodo Ferreira e Clésio Ferreira, formou um dos núcleos criativos mais consistentes da música popular brasileira. O trio assinou composições que ganharam o país nas vozes de intérpretes como Nara Leão, Fagner, Milton Nascimento, Elba Ramalho e o grupo MPB4.

Canções como “Revelação”, “Cebola Cortada”, “Ave Coração”, “Enquanto Engoma a Calça” e “Riso Cristalino” revelam um traço autoral inconfundível: lirismo sem excesso, imagens precisas e uma escuta atenta da vida cotidiana. Não há pressa em sua escrita – há permanência.

Professor de formação, Climério levou para a música a disciplina da palavra bem medida. Sua produção atravessa décadas sem perder atualidade, mantendo-se fiel a uma estética que privilegia o conteúdo e a emoção contida, em contraste com tendências mais imediatistas.

Membro da Academia Piauiense de Letras, onde ocupa a Cadeira nº 15, o autor também se afirma como referência no campo literário. Sua presença na instituição reforça a conexão entre música e literatura, duas dimensões que, em sua obra, caminham lado a lado.

O recente lançamento do livro Clodo, Climério e Clésio – A Profissão do Sonho, com texto de Severino Francisco e organização de Dea Barbosa, reposiciona o legado dos irmãos Ferreira no cenário cultural brasileiro. A obra revisita trajetórias, composições e contextos, ampliando o alcance de um trabalho que ajudou a moldar a sensibilidade musical do país.

Mais que celebrar uma data, o aniversário de Climério Ferreira projeta uma reflexão: em tempos de produção acelerada, sua obra reafirma o valor do tempo, da escuta e da palavra que permanece.

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