
Referência no diagnóstico da hanseníase no Piauí, o Centro Maria Imaculada (CMI) tem ampliado sua atuação científica e assistencial no enfrentamento da doença. Nesta terça-feira (27), a instituição realizou o 3º Seminário de Hanseníase, reunindo profissionais da saúde, estudantes, pesquisadores e membros da comunidade.
O encontro teve como foco a troca de informações, atualização de práticas terapêuticas e o debate sobre estratégias para reduzir o estigma ainda associado à doença, além de incentivar o diagnóstico precoce.
Atualmente, o CMI atende pacientes de cerca de 50 municípios piauienses. Somente em 2025, foram registrados aproximadamente 23 mil atendimentos, número que reforça a importância do serviço no acompanhamento clínico e na identificação precoce de novos casos.
De acordo com a coordenação do Centro, o seminário integra as ações do Janeiro Roxo, campanha nacional de conscientização sobre a hanseníase. A iniciativa busca ampliar o conhecimento entre profissionais e estudantes da área da saúde, especialmente aqueles que atuarão diretamente na atenção básica.

A médica dermatologista e hansenologista Lívia Martins destacou que o diagnóstico precoce é decisivo para o sucesso do tratamento. Segundo ela, a hanseníase tem cura e o tratamento é feito com antibióticos disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.
Ainda existe muito preconceito em torno da doença, baseado em informações antigas. Após o início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a hanseníase. Quando o diagnóstico é feito cedo, é possível evitar complicações, principalmente as relacionadas ao comprometimento dos nervos, explicou a médica.
A especialista também alertou para os principais sinais da doença, entre eles a perda de sensibilidade ao toque, ao calor ou ao frio, geralmente associada a manchas na pele, embora os sintomas também possam surgir sem alterações visíveis. Ao perceber qualquer dormência ou mudança na pele, é fundamental procurar atendimento médico. A informação evita sofrimento e reduz o risco de sequelas.

Informação e acolhimento no enfrentamento ao preconceito
Paciente do Centro Maria Imaculada há 15 anos, Anselmo Andrade relatou que o acesso à informação e ao acolhimento foi fundamental durante o tratamento. Para ele, o maior desafio ainda é vencer o estigma social.
A hanseníase tem tratamento e ele é gratuito. O que ainda machuca é o preconceito. Precisamos que a sociedade tenha mais conhecimento e compreenda que existe cura, afirmou.
O enfermeiro e voluntário do Centro, Ícaro Carvalho, ressaltou o papel da instituição no apoio às Unidades Básicas de Saúde. Segundo ele, o Centro contribui com o matriciamento da rede, auxiliando profissionais que ainda apresentam insegurança no diagnóstico e no acompanhamento dos casos.
A atenção primária é essencial nesse processo. O apoio técnico fortalece a identificação dos sinais, a investigação de contatos e o cuidado adequado com os pacientes, explicou.
Já a assistente administrativa e voluntária Gervilya Reinalaldo destacou a importância do acolhimento no processo de tratamento. Segundo ela, muitos pacientes chegam inseguros e retraídos, mas encontram no Centro um espaço de escuta e respeito.
Aqui não há preconceito. Trabalhamos para que cada pessoa se sinta acolhida, fortalecida e confiante durante o tratamento, concluiu.







