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Caso Epstein: poder, impunidade e o silêncio da extrema direita

Epstein morreu sob custódia em 2019, mas o impacto de seus arquivos segue atual.

O lançamento de mais de 3 milhões de páginas de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre Jeffrey Epstein deveria ter sido um divisor de águas no debate sobre poder, elite e impunidade. No entanto, o impacto político e midiático é surpreendentemente pequeno. Isso revela que estruturas de poder e narrativas ideológicas conseguem amortecer escândalos que, em outros contextos, seriam explosivos.

Epstein foi condenado por exploração sexual de menores e morreu sob custódia policial em 2019, em circunstâncias controversas. Os documentos divulgados incluem e-mails, vídeos e registros que mencionam interações de Epstein com políticos, empresários e figuras públicas. Donald Trump, Bill Clinton, ex-príncipe Andrew e outros nomes de alto perfil aparecem nos arquivos, mas é importante ressaltar que nenhuma acusação criminal foi formalizada com base nesses registros. Os documentos devem ser interpretados como informações sobre contatos e relações, não como prova de culpa.

Setores da extrema direita norte-americana têm se mantido discretos em relação ao caso, priorizando a coesão ideológica e a narrativa de perseguição. No Brasil, a extrema direita também opta por silêncio ou omissão, concentrando-se em atacar a esquerda e desviar atenção de evidências que poderiam expor conexões com redes de poder. O padrão é claro: status, impunidade e lealdade ideológica se sobrepõem à ética e à responsabilização.

Retornou a pressão para que o ex-príncipe Andrew se manifeste. Afinal, o caso não se restringe a questões de natureza sexual; desde o início, trata-se de silêncio, status e impunidade. O padrão se repete: ninguém afirma ter conhecimento, todos estavam presentes, mas ninguém teria visto nada. Donald Trump declarou que os documentos o absolvem, embora não esteja claro de quê, uma vez que os arquivos revelam, no mínimo, convivência próxima, contatos frequentes e trocas de mensagens. Ainda que isso não configure prova de crime, tampouco constitui prova de inocência.

Mesmo com milhões de documentos públicos, Trump segue protegido por narrativas de vitimização e polarização, que moldam a percepção do eleitorado e deslegitimam críticas. A divulgação parcial, com redacções extensas e lacunas significativas, permite que aliados e setores ideológicos mantenham controle sobre a interpretação pública do caso. Escândalos que poderiam abalar reputações ou questionar redes de poder são neutralizados pela lealdade ideológica e pelo gerenciamento seletivo da informação.

O caso Epstein revela que poder e elite não se enfrentam apenas pela lei, mas também por narrativas estratégicas e controle de informação. A incapacidade das sociedades polarizadas, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, de transformar evidências em consequências reais mostra o quanto a impunidade se sustenta na proteção mútua de poderosos e na manipulação da opinião pública.

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