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Caranguejo-do-diabo: o perigo oculto que pode levar à morte

Esse crustáceo chama atenção pela aparência colorida e pelo tamanho relativamente pequeno.

O chamado caranguejo-do-diabo ganhou destaque mundial depois da morte de uma influenciadora de gastronomia nas Filipinas. O caso acendeu um alerta sobre o consumo de animais marinhos pouco conhecidos. Em muitas comunidades costeiras, moradores convivem com a espécie há gerações, mas nem sempre compreendem totalmente o risco envolvido.

Esse crustáceo chama atenção pela aparência colorida e pelo tamanho relativamente pequeno. Mesmo assim, especialistas o classificam como um dos animais marinhos mais perigosos para humanos. A toxicidade não desaparece com cozimento, o que aumenta ainda mais o perigo em preparos caseiros ou em gravações de conteúdo gastronômico.

Toxicidade do caranguejo-do-diabo: o que torna o animal tão perigoso?

O caranguejo-do-diabo, também conhecido como caranguejo de recife tóxico, acumula duas neurotoxinas potentes: tetrodotoxina e saxitoxina. Essas substâncias afetam diretamente o sistema nervoso central. Elas bloqueiam canais de sódio nos neurônios e interrompem o envio de impulsos nervosos. Assim, o cérebro perde o controle sobre músculos importantes, como o diafragma.

A toxina se concentra principalmente na carne e na carapaça. Diferente de bactérias ou parasitas, as neurotoxinas não se degradam com o calor. A pessoa cozinha o animal por longos períodos e mesmo assim o perigo permanece. Por isso, a simples aparência de prato bem preparado não indica segurança. Pequenas quantidades já podem causar sintomas intensos.

Relatos de hospitais da região do Indo-Pacífico mostram quadros rápidos de intoxicação. Em muitos casos, a vítima apresenta mal-estar poucos minutos após o consumo. A partir daí, o tempo para atendimento se torna decisivo. Sem suporte médico adequado, o risco de morte aumenta de forma significativa.

Por que o caranguejo-do-diabo pode matar tão depressa?

As toxinas presentes no caranguejo-do-diabo agem em várias etapas do organismo humano. Primeiro, surgem sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos e dores abdominais. Em seguida, aparecem formigamento em lábios e dedos, tontura e sensação de fraqueza. Esses sinais indicam o início da ação neurológica.

Com a progressão do quadro, a pessoa pode desenvolver paralisia muscular. A respiração fica mais difícil, porque os músculos do tórax perdem força. Em situações mais graves, o sistema respiratório entra em falência. A morte, então, ocorre por parada respiratória, mesmo com o coração ainda batendo por algum tempo.

Outro ponto crítico envolve a ausência de antídoto específico. Até 2025, a medicina não dispõe de soro que neutralize tetrodotoxina ou saxitoxina de maneira direta. O tratamento foca apenas em medidas de suporte, como ventilação mecânica, hidratação e monitorização constante. Assim, o acesso rápido ao hospital faz diferença na chance de sobrevivência.

  • Início rápido dos sintomas após a ingestão.
  • Ação direta sobre nervos e musculatura respiratória.
  • Ausência de antídoto específico disponível.
  • Toxinas resistentes ao calor e ao cozimento prolongado.

Como identificar e evitar o caranguejo-do-diabo?

O caranguejo-do-diabo vive, principalmente, em recifes de coral na região do Indo-Pacífico. Ele costuma apresentar coloração marrom-avermelhada escura ou creme. Manchas vermelhas ou marrons se espalham pela carapaça e pelas patas. Esse padrão ajuda pescadores experientes a reconhecer o animal no ambiente natural.

Mesmo assim, a identificação nem sempre é simples. Em mercados informais, a mistura de espécies em baldes e caixas pode confundir compradores. Por isso, autoridades de saúde recomendam algumas medidas de prevenção. Comunidades costeiras, turísticas e pescadores amadores precisam manter atenção redobrada.

  1. Evitar consumir caranguejos desconhecidos capturados em recifes.
  2. Buscar orientação de órgãos de pesca e saúde locais sobre espécies tóxicas.
  3. Desconfiar de animais com cores muito vivas ou padrões incomuns.
  4. Registrar e comunicar casos suspeitos de intoxicação às autoridades.

Programas de educação ambiental também passam a incluir informações sobre o caranguejo-do-diabo. Dessa forma, moradores e visitantes recebem orientações claras antes de coletar frutos do mar em manguezais e áreas de recife. A informação, nesse contexto, funciona como principal ferramenta de proteção.

EM.com.br
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