Câmara convoca Águas de Teresina após denúncias sobre cobranças, obras e transtornos na cidade

A ampliação do sistema de esgotamento sanitário em Teresina, durante anos aguardada como solução para problemas históricos de saúde pública e meio ambiente, passou a ser acompanhada por uma série de transtornos urbanos, aumento de custos para moradores e impasses institucionais. Diante desse cenário, a Câmara Municipal decidiu convocar a concessionária Águas de Teresina para prestar esclarecimentos.

A convocação, proposta pelo vereador Dudu, terá caráter obrigatório e deve reunir parlamentares em um debate técnico sobre a atuação da empresa, incluindo a qualidade dos serviços, a política de cobrança e a transparência na execução das obras.

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Segundo o vereador João Carvalho, a intenção é ampliar o nível da discussão e fortalecer o papel do Legislativo. “É necessário um debate sério, técnico e responsável sobre os problemas que atingem Teresina”, afirmou.

Entre os principais pontos levantados está a cobrança da taxa de esgoto mesmo em imóveis que ainda não estão efetivamente conectados à rede. Parlamentares também questionam o aumento expressivo nas contas e relatam que moradores têm sido pressionados a regularizar a situação.

Outro eixo central das críticas diz respeito aos impactos das obras na infraestrutura urbana. Ruas abertas para implantação da rede têm apresentado recomposição considerada inadequada, com buracos, desníveis e poeira, afetando a mobilidade.

Há ainda relatos de descumprimento de prazos para recuperação do asfalto, inclusive em vias principais.

O vereador Petrus Evelyn ampliou o tom das críticas ao apontar possíveis irregularidades na concessão e falhas na fiscalização. Segundo ele, a empresa opera há anos sob questionamentos jurídicos e acumula multas por danos ao patrimônio público que não teriam sido efetivamente aplicadas.

O parlamentar também afirmou que acordos firmados com o município, como prazos para recuperação do asfalto após intervenções, não estariam sendo cumpridos, o que, segundo ele, evidencia fragilidade no controle por parte do poder público.

Para Petrus, o cenário revela um padrão de atuação marcado por falhas, ausência de responsabilização e impacto direto na população, especialmente nas regiões mais afetadas pelas obras.

Impacto direto: prejuízo, poeira e conta mais cara

Em entrevista ao Portal Atualize, a comerciante Maria de Deus do Nascimento, conhecida como Dona Deusa, relatou prejuízos durante a implantação da rede em sua rua, no bairro Saci.

Segundo ela, a via ficou interditada por dias, com poeira e circulação comprometida, afetando seu pequeno mercadinho. “Passei uma semana sem vender nada”, disse.

Um buraco em frente à sua casa permaneceu por mais de dois meses e só foi resolvido após repercussão na imprensa.

Mesmo sem estar conectada ao sistema, ela afirma que já sente impacto financeiro. “Antes eu pagava em torno de R$ 35, agora passa de R$ 80”.

A ligação da residência à rede, segundo ela, ultrapassa R$ 2 mil.

Avanço estrutural e desafio da adesão

Em resposta, o gerente de Serviços da Águas de Teresina, Mauro Nascimento Junior, afirmou que a cobertura de esgoto saiu de menos de 20% em 2017 para cerca de 59%, com meta de atingir 90% até 2033.

Segundo ele, o principal desafio é a baixa adesão da população à ligação domiciliar, o que limita os efeitos do sistema.

Ele também explicou que a cobrança da taxa pode ocorrer mesmo sem a conexão, com base na disponibilidade do serviço, conforme legislação federal.

A empresa reconheceu impasses com a Prefeitura que impactaram o ritmo das obras e afirmou que um grupo de trabalho foi criado para alinhar soluções.

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