
Conversando com alguns professores da rede municipal de ensino de Teresina, ouvi um relato que merece atenção: em muitas situações, a chamada inclusão pode estar acontecendo apenas no papel.
Docentes afirmam que, em salas com 25 ou 30 alunos, é extremamente difícil garantir o acompanhamento adequado para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras necessidades educacionais específicas — especialmente aqueles com laudo de suporte 3, que demandam apoio mais intensivo.
A pergunta que surge não é se essas crianças devem estar na escola regular. Devem. A Constituição, a legislação e, principalmente, o princípio da dignidade humana garantem esse direito.
Mas a inclusão precisa ser real.
Se o professor não tem formação específica continuada, se o auxiliar não recebe capacitação adequada e se não há suporte de equipe multidisciplinar (psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo), o risco é transformar um direito legítimo em frustração coletiva: para o aluno, para a família e para o próprio educador.
Também é fato que crianças com suporte nível 3 exigem intervenções mais estruturadas, previsibilidade, adaptações curriculares profundas e, em alguns casos, ambientes mais organizados sensorialmente.
O debate que precisa ser feito é:
Estamos garantindo o direito à inclusão ou apenas cumprindo formalidades?
A rede está estruturada para oferecer o suporte que esses estudantes realmente precisam?
Talvez o caminho não seja excluir da escola regular, mas fortalecer salas de recursos, ampliar equipes técnicas e investir pesado na formação docente.
Porque inclusão não é só colocar na mesma sala.
É garantir aprendizagem, evolução e respeito às diferenças.
É fundamental ouvir especialistas para aprofundar essa discussão com base técnica e não apenas na percepção de quem está na linha de frente.
Renato Bezerra
Jornalista




