Divulgada nesta sexta-feira (20), a auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) sobre o sistema de drenagem urbana de Teresina expôs falhas estruturais na gestão do serviço e revelou um dado que amplia o alerta: 83.252 pessoas vivem em áreas classificadas como de risco na capital.
O levantamento, referente ao exercício de 2025, analisou a aplicação de R$ 54,8 milhões destinados à drenagem urbana e resultou no Acórdão nº 056/2026. A fiscalização foi conduzida pela Diretoria de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano (DFINFRA), no âmbito do Processo TC nº 000667/2025.
Além da análise documental, a auditoria incluiu inspeções presenciais nas zonas Norte, Sul, Leste, Sudeste e Centro, com registros fotográficos que mostram, na prática, os problemas apontados no relatório.
Entre os principais achados estão a ausência de cadastro atualizado da rede de drenagem, a falta de planejamento preventivo, a insuficiência de manutenção nos sistemas de bombeamento e a inexistência de um orçamento específico para o setor.
O diagnóstico é direto: o município atua, majoritariamente, de forma reativa, com intervenções realizadas apenas após a ocorrência de alagamentos.
Mapa de risco expõe vulnerabilidade urbana
Dados cruzados com o Censo 2022 mostram que dezenas de milhares de pessoas vivem em áreas sujeitas a alagamentos, erosões e transbordamentos. Há regiões com mais de 20 mil habitantes expostos diretamente a esses riscos, especialmente em áreas próximas a rios e em zonas de expansão urbana.
A auditoria também analisou o crescimento das sub-bacias e o uso do solo, apontando que a expansão urbana sem a devida infraestrutura de drenagem contribui para o aumento da vulnerabilidade hidrológica da cidade.
Inspeções revelam problemas em todas as zonas
As imagens registradas pela equipe técnica reforçam o conteúdo do relatório.
Na zona Norte, foram identificados pontos com acúmulo de vegetação em canais, água represada e estruturas de drenagem sem manutenção adequada.
Na zona Sul, há registros de erosões, vias danificadas e trechos onde a água escoa sem canalização eficiente, comprometendo ruas e áreas habitadas.
Na região Centro, o problema aparece em galerias sem proteção, assoreamento e acúmulo de resíduos, fatores que dificultam o escoamento da água.
Já na zona Leste, a auditoria encontrou bocas de lobo abertas, estruturas parcialmente cobertas e sinalização insuficiente em áreas de risco.
Risco à vida entra no radar
Um dos pontos mais sensíveis do relatório é o alerta para estruturas de drenagem sem proteção adequada. O TCE recomendou a instalação de barreiras físicas, sistemas de contenção e sinalização para reduzir o risco de acidentes.
O tema ganhou urgência após o registro de duas mortes em Teresina, nos primeiros meses de 2026, relacionadas a eventos chuvosos, em situações onde a ausência de dispositivos de segurança pode ter contribuído para as fatalidades.
Cidade cresce, drenagem não acompanha
Com base nas análises técnicas e nas inspeções de campo, a auditoria conclui que há um descompasso entre o crescimento urbano de Teresina e a estrutura de drenagem disponível.
Na prática, o sistema não acompanha a expansão da cidade. E quando a chuva chega, o problema deixa de ser técnico – se espalha pelas ruas, invade casas e expõe, com força, as falhas que já estavam ali.
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