
A audiência de instrução e julgamento da vereadora Tatiana Medeiros (PSB), acusada de diversos crimes eleitorais e de integrar organização criminosa, teve início às 9h desta segunda-feira (24), no Fórum Eleitoral de Teresina. Às 9h43, a sessão seguia em andamento. Os trabalhos estão previstos para ocorrer até o dia 28 de novembro.
Tatiana chegou ao local acompanhada do advogado Francisco Medeiros e optou por não conceder entrevistas. Além dela, outras oito pessoas serão julgadas no mesmo processo, entre elas o namorado da parlamentar, Alandilson Cardoso, apontado como integrante da facção Bonde dos 40. Ele é acusado de participar do financiamento da campanha da vereadora à Câmara Municipal de Teresina.
A vereadora foi presa no dia 3 de abril pela Polícia Federal e é investigada pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro, peculato e falsidade ideológica. A expectativa é que as sessões ultrapassem 15 horas de duração diária devido ao volume de depoimentos e à complexidade do caso.
Estrutura reforçada e audiência de grande porte
A audiência conta com esquema ampliado de segurança, com presença de agentes das Polícias Penal e Militar. O processo envolve 112 testemunhas convocadas, o que deve ocupar todos os cinco dias destinados ao julgamento, com a realização de depoimentos, interrogatórios e análise de provas.
A condução dos trabalhos está sob responsabilidade da juíza Júnia Maria Feitosa Bezerra Fialho, titular da 1ª Vara Eleitoral. Outros dois magistrados foram designados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para compor a mesa durante o julgamento.
Caso seja condenada, Tatiana pode enfrentar sanções eleitorais e criminais, com impacto direto em sua carreira política e na legitimidade de seu mandato. A defesa, por sua vez, sustenta que parte das provas é frágil e que a anulação recente de documentos deve favorecer a parlamentar.
Anulação de provas e retomada do mandato
A audiência estava inicialmente marcada para outubro, mas foi adiada após decisão do desembargador Pedro Macêdo, do Tribunal de Justiça do Piauí, que anulou parte do conjunto probatório utilizado contra Tatiana. Entre os materiais invalidados está um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) compartilhado entre a Polícia Federal e o Denarc.
Com a anulação, a Câmara Municipal de Teresina foi notificada, e Tatiana pôde reassumir o cargo de vereadora enquanto o processo segue em andamento.






