
Correr é uma das atividades físicas mais democráticas e procuradas por quem busca qualidade de vida. Mas, apesar dos inúmeros benefícios, o esporte também exige atenção e preparo. De acordo com a fisioterapeuta Thais Cristina da Costa Rocha Pereira, mestre em fisioterapia, as lesões mais comuns entre corredores estão ligadas ao uso excessivo (overuse) — quando o corpo é submetido a uma carga de esforço maior do que consegue suportar.
“Essas lesões acontecem mais pela repetição do movimento e pela sobrecarga contínua do que por um trauma isolado”, explica. Entre os problemas mais frequentes estão a dor patelofemoral (conhecida como “joelho do corredor”), canelite, tendinite do calcâneo (ou de Aquiles), fasciite plantar, síndrome da banda iliotibial e fraturas por estresse.
Segundo a fisioterapeuta, o surgimento dessas lesões está relacionado a diversos fatores, como aumento rápido do volume de treino, biomecânica deficiente, mudanças bruscas de terreno, falta de descanso e uso inadequado de calçados. “O corpo precisa de tempo para se adaptar às cargas impostas pela corrida. Ignorar isso é um dos erros mais comuns, especialmente entre quem está começando”, ressalta a especialista que é professora da Afya Uninovafapi.
A fisioterapia atua em todas as fases do processo: prevenção, desempenho e recuperação. “Antes de tratar a dor, é fundamental entender suas causas. Por isso, fazemos uma avaliação detalhada, observando o padrão da passada, o equilíbrio muscular e possíveis desequilíbrios articulares”, explica a profissional.
O tratamento inclui técnicas manuais, liberação miofascial, mobilizações articulares e exercícios de fortalecimento progressivo. Grupos musculares como glúteos, quadríceps, panturrilhas e o core merecem atenção especial. “O fortalecimento dessas regiões é essencial para dar estabilidade, evitar compensações e melhorar o desempenho na corrida”, acrescenta.
Sinais de alerta: quando o corpo pede pausa
Nem toda dor é igual, e saber identificar o que é apenas desconforto e o que exige atenção é fundamental. A especialista classifica os sintomas em “sinais amarelos” e “sinais vermelhos”.
Os sinais amarelos indicam a necessidade de cautela, como dores leves durante o treino, fadiga muscular e rigidez passageira. Já os sinais vermelhos exigem pausa imediata e avaliação profissional: dor que piora com o treino, inchaço, alteração na marcha, dor noturna ou instabilidade articular.
“Quando a dor muda de padrão, de leve para aguda ou persistente, é hora de parar. Continuar forçando pode transformar uma inflamação simples em uma lesão séria, que vai exigir semanas de recuperação”, alerta.






