Arte imersiva de OJAS estreia em Teresina com proposta sensorial e interativa

A Galeria Dora Parentes, no SESC Cajuína, recebe a partir de 10 de abril a exposição “A arte que toca a alma: som, imagem e movimento”, primeira mostra individual imersiva do artista OJAS (Odair Silva). A proposta reúne pintura, instalação e tecnologia para conduzir o público a uma experiência sensorial que articula emoção, estética e inovação.

Com 20 obras em acrílico sobre tela, no formato 150 x 100 cm, a exposição apresenta composições marcadas pelo uso predominante do azul. As telas combinam figuração e geometria, trazendo personagens ligados ao universo cultural nordestino em diálogo com elementos gráficos e simbólicos que evocam ruas, paisagens e cenas urbanas. O resultado é uma narrativa visual contemporânea que valoriza a diversidade humana e a musicalidade da região, com referências que atravessam desde a Renascença até o cubismo.

A interatividade é um dos eixos centrais da mostra. O público é convidado a tocar e participar da instalação composta por dezenas de pássaros feitos à mão, formando uma revoada sensorial que dialoga com as pinturas. Os móbiles, ao alcance das mãos, adicionam movimento ao ambiente e reforçam o caráter imersivo da exposição. A instalação também propõe uma reflexão ambiental ao homenagear espécies como a ararinha-azul, ave endêmica da caatinga e atualmente em risco crítico de extinção, além dos azulões, presentes em diversas regiões do país e da América do Sul.

Outro destaque é a incorporação de tecnologia. Por meio de inteligência artificial, as obras ganham movimento e sonorização em “telas vivas”, ampliando o diálogo entre imagem, som e movimento. A proposta intensifica a experiência do visitante e posiciona a exposição no campo das práticas contemporâneas que exploram novas linguagens.

Nascido no Maranhão e radicado em Teresina desde a infância, OJAS transita por diferentes vertentes das artes visuais, incluindo pintura, escultura, cenografia, ilustração e design. Formado em Publicidade e Propaganda, atua também como diretor de arte, com trabalhos reconhecidos e premiados. Autodidata, construiu uma trajetória influenciada por movimentos como a pop art, a street art e a arte contemporânea, além de referências clássicas.

Em 2022, o artista integrou a mostra Art Shout London, em Londres, participou do Anuário de Artes da Luxus Magazine, em São Paulo — como único representante do Piauí — e recebeu certificação do Luxembourg Art Prize, concedido pela Pinacothèque, no Grão-Ducado de Luxemburgo.

A cor azul é elemento estruturante de sua produção. “Gosto de pintar a vida em tons de azul. Essa cor me traz paz e tranquilidade”, afirma o artista, ao destacar a relação sensorial com a paleta que conduz sua criação. As figuras estilizadas inseridas em fundos geométricos buscam estabelecer conexão direta com o público, especialmente com as novas gerações, ao narrar o cotidiano e evidenciar a força simbólica do Nordeste.

Pensada para o espaço expositivo do Sesc, a mostra dialoga com a proposta institucional de democratização do acesso à arte e formação de público, ao mesmo tempo em que amplia as possibilidades de interação entre obra e espectador.

 

 

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