
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian pediu na terça-feira (30/12) ao governo para que ouça as “demandas legítimas” dos manifestantes, em meio aos protestos que se espalharam em diversas regiões do país desde o início da semana contra o custo de vida elevado e a desvalorização da moeda local, problema decorrente das sanções impostas pelo Ocidente.
“O sustento do povo é minha preocupação diária”, escreveu o mandatário na plataforma X. “Incumbi o Ministro do Interior de ouvir as demandas legítimas dos manifestantes por meio do diálogo com seus representantes, para que o governo possa agir com todas as forças para resolver os problemas e responder de forma responsável”.
O governo tinha “ações fundamentais na agenda para reformar o sistema monetário e bancário e preservar o poder de compra do povo”, acrescentou.
Já nesta quarta-feira (31/12), de acordo com a agência Tasnim, o procurador-geral do Irã, Mohammad Movahedi-Azad defendeu que o protesto pacífico é legítimo, mas alertou que as tentativas de criar insegurança e desestabilizar o país não serão toleradas, e que elas provocariam uma “resposta decisiva”.
“Qualquer tentativa de transformar protestos econômicos em uma ferramenta de insegurança, destruição de propriedade pública ou implementação de cenários projetados externamente será inevitavelmente recebida com uma resposta legal, proporcional e decisiva”, afirmou.
Os protestos tomaram proporções quando o rial iraniano foi despencando para novos recordes de baixa em relação ao dólar norte-americano. De acordo com a emissora catari Al Jazeera, a moeda local tem “diminuído rapidamente” nas últimas semanas, à medida que os Estados Unidos e seus aliados ocidentais aumentam suas sanções e pressão diplomática, além da possibilidade de uma nova guerra eclodir com Israel.
O Centro de Estatísticas Iraniano informou que, em dezembro, os preços aumentaram 52% em média, em termos anuais. Segundo a RFI, “o rial perdeu quase metade do valor em um ano e atingiu nesta terça-feira um mínimo histórico de 1.400.000 rials por dólar, segundo dados compilados por plataformas online. A inflação chegou a 42,5% em dezembro”.






