APL debate obra de Da Costa e Silva em oficina literária

A Oficina Literária da Academia Piauiense de Letras (APL), realizada no dia 21 de fevereiro, reuniu acadêmicos e convidados em torno de uma análise crítica da obra de Da Costa e Silva. A sessão foi conduzida pelo poeta, ensaísta e crítico Francisco Miguel de Moura, o Chico Miguel, e contou com a presença do presidente da instituição, Fonseca Neto.

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O ponto central do encontro foi a leitura do artigo inédito “Revisitando Da Costa e Silva”, apresentado integralmente pelo autor. O texto será publicado na revista oficial da APL, ampliando o acesso ao conteúdo discutido.

Durante a exposição, Chico Miguel propôs uma releitura consistente da obra de Antônio Francisco da Costa e Silva, destacando o percurso do poeta entre diferentes correntes literárias. A análise evidencia que o autor transitou entre o Parnasianismo, o Simbolismo e influências que já apontavam para uma modernização da linguagem, sem se prender a uma única escola.

A abordagem parte de uma memória pessoal do ensaísta, ainda na juventude, ao ter contato com os versos do poeta em um antigo Almanaque da Parnaíba. A partir desse ponto, o estudo se expande para examinar a construção estética de Da Costa e Silva e sua capacidade de assimilar influências diversas, consolidando uma voz própria.

Ao analisar a obra Sangue (1908), o ensaísta identifica a presença simultânea de rigor formal e inquietação espiritual. Elementos como “Não Ser”, “Morte” e “Nirvana” aparecem como marcas dessa densidade simbólica, evidenciando um diálogo entre diferentes tradições literárias.

Outro destaque da apresentação foi a comparação com o poeta Augusto dos Anjos. Chico Miguel apontou aproximações temáticas, como a presença da dor, da materialidade e de um vocabulário científico, mas afastou a ideia de dependência estética. Segundo ele, os autores compartilham um mesmo contexto cultural, no qual a influência se manifesta como processo de criação, e não como reprodução.

O artigo também aborda o conceito de intertextualidade, demonstrando que Da Costa e Silva já operava na articulação de múltiplas referências antes mesmo da consolidação teórica do termo. A leitura ressalta a capacidade do poeta de transformar heranças literárias em expressão própria.

A maturidade estética do autor é destacada na obra Zodíaco (1917), momento em que sua escrita atinge maior autonomia. Nesse período, a abordagem da saudade ganha densidade e consolida a imagem do poeta como uma das vozes mais representativas desse sentimento na literatura piauiense.

Encerrando a exposição, Chico Miguel revisitou o soneto “A Moenda”, ressaltando sua força imagética e musicalidade. A análise destacou o equilíbrio entre forma e emoção, com a metáfora da engrenagem traduzindo aspectos do drama humano.

Ao acompanhar a atividade, o presidente Fonseca Neto reforçou o compromisso da Academia com a valorização da literatura piauiense e a promoção de espaços de estudo e reflexão. A Oficina Literária, segundo os participantes, reafirma-se como ambiente de formação crítica, debate qualificado e fortalecimento da produção intelectual no estado.

O Portal Atualize acompanhou a sessão e segue atento às iniciativas que valorizam a cultura e a produção literária no Piauí.

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