
No dia 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente que a Covid-19 havia se tornado uma pandemia. A decisão foi tomada diante da rápida disseminação do vírus em diversos países e marcou o início de um dos períodos mais desafiadores da história recente.
Seis anos depois, em março de 2026, a data ainda remete a lembranças intensas vividas em todo o mundo, como hospitais lotados, isolamento social e milhões de pessoas afetadas pela doença. Ao mesmo tempo, também ficaram registradas histórias de solidariedade e empatia protagonizadas por profissionais de saúde durante a crise sanitária.
Uma dessas histórias ganhou destaque a partir de uma ideia simples criada por uma enfermeira em um hospital localizado na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Durante o atendimento a um paciente com Covid-19, ela percebeu que a mão dele estava muito fria, o que dificultava a medição da saturação de oxigênio.
Inicialmente, a profissional tentou métodos comuns utilizados na enfermagem para aquecer a região, como envolver a mão com algodão ortopédico e ataduras. Como não houve melhora na circulação, ela pensou em outra alternativa.
A solução encontrada foi colocar água morna dentro de duas luvas cirúrgicas e posicioná-las ao redor da mão do paciente, criando uma espécie de abraço. O objetivo era aquecer a região e estimular a circulação sanguínea.
A improvisação funcionou rapidamente. Em poucos minutos, a perfusão sanguínea melhorou e a equipe conseguiu realizar a medição da saturação de oxigênio, dando continuidade ao atendimento.
Embora o procedimento tenha sido feito ainda em 2020, a história ganhou repercussão algum tempo depois. Em 2021, a enfermeira encontrou a foto registrada no celular e decidiu publicá-la nas redes sociais. A imagem viralizou e passou a ser compartilhada por profissionais de saúde em diferentes lugares.
A técnica ficou conhecida como “mãozinha” e passou a ser adotada por equipes médicas como uma forma de aquecer as extremidades dos pacientes e também oferecer conforto emocional, especialmente para pessoas internadas em estado grave e isoladas da família.
Durante o período mais crítico da pandemia, outros profissionais relataram ter utilizado a mesma ideia em unidades de terapia intensiva. Além de ajudar em alguns procedimentos clínicos, o gesto também transmitia aos pacientes a sensação de que não estavam sozinhos.
Seis anos após o anúncio da pandemia, a imagem da chamada “mãozinha” voltou a circular nas redes sociais e foi lembrada como um dos símbolos do cuidado e da humanidade demonstrados por profissionais da saúde durante a crise global provocada pela Covid-19.