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Guerra no Irã: Lula assina MP e decretos para conter alta dos combustíveis; entenda

Lula ainda pediu ajuda aos governadores para reduzir a incidência do ICMS sobre os combustíveis nos Estados para evitar que a alta acarrete inflação sobre os alimentos.

O presidente Lula assinou nesta quinta-feira (12) três decretos emergenciais e uma Medida Provisória (MP) para conter a alta dos combustíveis, especialmente do diesel, em razão da turbulência no mercado mundial de petróleo devido à guerra desencadeada por Donald Trump, dos EUA, e Benjamin Netanyahu, de Israel, contra o Irã.

“Nós estamos dizendo ao bom som, que estamos fazendo um sacrifício enorme aqui, uma engenharia econômica para evitar que os efeitos da irresponsabilidade das guerras cheguem ao povo brasileiro”, afirmou Lula durante o anúncio ao lado dos ministros Rui Costa (Casa Civil), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Fernando Haddad (Fazenda).

Os decretos e a Medida Provisória assinadas têm como objetivo:

  • Zerar PIS (Programa de Integração Social) e COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) sobre o diesel para importação e comercialização;
  • Instituir medidas de fiscalização sobre preços abusivos dos combustíveis e;
  • Criar uma política de subvenção ao óleo diesel para produtores e importadores, condicionada à comprovação de repasse aos consumidores.

Lula ainda pediu ajuda aos governadores para reduzir a incidência do ICMS sobre os combustíveis nos Estados para evitar que a alta acarrete inflação sobre os alimentos.

“Nós vamos fazer tudo o que for possível. E quem sabe esperar, até com a boa vontade dos governadores de Estados, que podem reduzir um pouco o ICMS também no preço do combustível, naquilo que for possível cada Estado fazer, para que a gente garanta que essa guerra não chegue ao bolso do motorista, ao bolso do caminhoneiro. E sobretudo, não chegando ao bolso do caminhoneiro, não vai chegar ao prato de feijão, da salada, do alface, da cebola e da comida que o povo mais come”, disse o presidente Lula”, afirmou.
Medidas

As ações, que incluem a edição de Medida Provisória e de três decretos são uma resposta ao cenário de forte volatilidade dos preços do petróleo causado pela guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã e pelas tensões no entorno do Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Juntas, as iniciativas irão proteger a população brasileira, os caminhoneiros e os setores econômicos.

“Aquilo que está acontecendo no Brasil e aquilo que está acontecendo no mundo é muito causado pela irresponsabilidade das guerras que estamos vivendo no mundo. Vocês têm acompanhado pela imprensa e estão vendo que o preço do petróleo está fugindo ao controle em quase todos os países do mundo. O Brent (petróleo cru) saiu de 77 (dólares) para 114, caiu para 99 e hoje, neste momento, está outra vez a 100 dólares o barril. Isso significa aumento de combustível em todos os países do mundo, inclusive há informações de que nos Estados Unidos a gasolina já subiu 20%”, afirmou o presidente

Uma das medidas será zerar as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o diesel. Na prática, isso elimina os únicos dois impostos federais atualmente cobrados sobre o combustível e representa uma redução de R$ 0,32 por litro. O objetivo é aliviar a pressão sobre um insumo essencial para o transporte de cargas, a produção agropecuária, o abastecimento das cidades e a mobilidade de milhões de brasileiros. Esta medida será editada via decreto presidencial.

Além disso, uma Medida Provisória vai prever o pagamento de subvenção a produtores e importadores de diesel, no valor de R$ 0,32 por litro, que deverá ser repassada. Somadas, as duas medidas têm o objetivo de gerar um alívio de R$ 0,64 por litro nas bombas, para conter a pressão de custos ao longo da cadeia e criar condições para que esse efeito chegue à população nas bombas dos postos. Será editado decreto para regulamentar a subvenção.

A MP prevê ainda Imposto de Exportação como medida regulatória para aumentar o refino interno e garantir o abastecimento à população. Deste modo, a renda excedente obtida em função do aumento de preço do petróleo no mercado internacional será compartilhada com a sociedade brasileira.

A MP dota a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) de novos instrumentos de fiscalização no mercado de combustíveis para coibir práticas lesivas ao consumidor. Entre elas, o aumento abusivo de preços e a retenção especulativa de estoques com a finalidade de provocar escassez ou a venda do produto por valores mais altos.

Outro decreto, a ser editado hoje, determina que os postos de combustíveis adotem sinalização clara e visível ao consumidor, informando a redução dos tributos federais e do preço em função da subvenção.

Ao editar essas medidas, o Governo do Brasil atua para evitar que a população brasileira, os caminhoneiros e os setores produtivos arquem sozinhos com o custo de uma crise externa. A iniciativa também busca conter pressões inflacionárias, especialmente sobre alimentos, fretes e bens essenciais que dependem diretamente do transporte rodoviário.

À tarde, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, os ministros Rui Costa (Casa Civil), Wellington César (Justiça), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e o secretário executivo da Fazenda, Dario Durigan, se reunirão com representantes das maiores distribuidoras privadas de combustíveis — responsáveis por cerca de 70% do mercado privado no Brasil — para cobrar que as medidas anunciadas sejam efetivamente repassadas ao consumidor final. Também serão convidados para a reunião representantes da Senacon, de modo a reforçar o acompanhamento institucional sobre a chegada desse alívio aos consumidores.

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