247 – O Banco Central funcionou sem presidente durante o governo de Bolsonaro. Eram oito diretores, dois deles trabalhando para a máfia de Daniel Vorcaro, sem controle de ninguém. E o presidente, onde estava? Hoje, os jornalões não sabem mais.
O presidente do Banco Central de Bolsonaro não existe em dois longos textos do Estadão e do Globo, publicados nos sites dos jornais nessa quinta-feira. Não existe nos telejornais da Globo e na maioria das reportagens da grande imprensa.
Pois lá estão no Estadão e no Globo os nomes de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão bancária, que recebiam mesadas de Vorcaro.
O título do Globo, para a reportagem de Thaís Barcellos, diz o seguinte: “Investigações apontam que servidor do BC já recebia vantagens indevidas de Vorcaro como diretor”.
São textos de qualidade, que não deixam muitas questões elementares sem resposta. Mas ao final fica a pergunta: quem mandava nos dois diretores da máfia de Vorcaro infiltrados no BC?
Ninguém mandava, porque não há, em dois textos com 9,2 mil caracteres somados, o nome de Roberto Campos Neto, presidente do BC de fevereiro de 2019 a dezembro de 2024.

Lula não conseguiu, porque a lei não permite, livrar-se antes de Campos Neto e dos seus juros à la Master. E o BC só se livrou dos dois diretores da máfia depois que Gabriel Galípolo assumiu a presidência do banco em janeiro de 2025.
O nome de Campos Neto não aparece nos jornalões porque é preciso blindá-lo pelos bons serviços prestados ao rentismo e porque poderia ser chamado de novo a colaborar com a direita.
Ninguém fala de Campos Neto porque ele poderia ser, na negociação com Flávio, o novo posto Ipiranga do bolsonarismo e da velha direita.
Não, ninguém diz que a Globo e os jornalões podem virar bolsonaristas. Apenas que a Globo e as outras organizações podem continuar sendo oportunistas. Para que se viabilize um governo anti-Lula.
Mas, mesmo que tenha sido blindado, o economista bolsonarista não tem mais conserto e perspectiva de poder em Brasília, depois das revelações do caso Master.
Não há mais o que fazer, depois que as investigações do próprio BC e da Polícia Federal descobriram, com provas, a extensão da quadrilha dentro do Banco Central de Roberto Campos Neto e de Bolsonaro.
Os dois diretores trabalhavam para Vorcaro, que trabalhava para Valdemar Costa Neto e Ciro Nogueira, que trabalhavam para o mafioso, porque era preciso atender as demandas do centrão, de Bolsonaro, de Tarcísio de Freitas e da base parlamentar da turma de Nikolas Ferreira.
Quase tudo dessas conexões aparece nos jornalões, menos o nome de Campos Neto. Por isso a grande imprensa combinou que as chamadas de capa teriam formulações semelhantes e ficariam assim: governo tenta incriminar Banco Central de Bolsonaro no caso Master.
Segundo os jornais, é o governo que tenta apontar o dedo para o BC de Bolsonaro e de Campos Neto. Não são as provas e os indícios vazados e que fazem com que os jornalões comam na mão dos investigadores e de André Mendonça.
Os diretores seriam figuras avulsas e sem controle, agindo como tarefeiros do mafioso sem qualquer controle. E Campos Neto fazia o quê? Campos Neto calibrava os juros sob aplausos dos que o exibiam como gênio e agora o escondem como um ex-chefe distraído nos porões do caso Master.