
O presidente francês, Emmanuel Macron, alertou que a União Europeia deve se preparar para novos momentos de hostilidade por parte dos Estados Unidos e tratar episódios recentes, como a polêmica envolvendo a Groenlândia, como um alerta para avançar em reformas há muito adiadas.
Em entrevista a jornais europeus, Macron afirmou que a UE não deve interpretar uma trégua nas tensões com Washington como uma mudança duradoura, apesar da aparente pausa em conflitos sobre comércio, tecnologia e questões geopolíticas.
O líder francês destacou a importância de utilizar a cúpula da UE marcada para esta semana, em um castelo belga, como oportunidade para fortalecer a competitividade do bloco e sua capacidade de enfrentar tanto a China quanto os Estados Unidos no cenário global.
Macron classificou a postura do governo norte-americano como “abertamente antieuropeia”, alertando que novas tensões devem surgir, especialmente em relação à regulamentação de empresas de tecnologia. Ele mencionou que os EUA podem impor tarifas sobre produtos europeus caso a União Europeia utilize a Lei de Serviços Digitais para controlar o setor tecnológico.
Para Macron, a Europa precisa de proteção, não de protecionismo. Segundo ele, o bloco enfrenta o “tsunami chinês no front comercial” e a instabilidade constante do lado norte-americano, criando um choque profundo que exige resiliência.
O presidente francês também reforçou seu apelo para o uso de empréstimos comuns entre os 27 países da UE, como forma de permitir investimentos em grande escala e desafiar a hegemonia do dólar norte-americano. Ele destacou que, em um momento de desconfiança global em relação ao dólar, a dívida europeia pode se tornar uma alternativa segura para investidores, ressaltando a força das instituições democráticas do continente.
Durante a cúpula, serão debatidos os planos liderados pela França para uma estratégia “Made in Europe”, que estabelecerá requisitos mínimos de conteúdo europeu em produtos fabricados localmente. A proposta já gerou divisões entre os Estados-membros e preocupações no setor automotivo.
Macron reforçou que a estratégia não é protecionista, mas visa a preferência europeia, fortalecendo a economia do bloco e consolidando a posição da UE como potência global.






