
O uso de tecnologia de videomonitoramento com inteligência artificial foi decisivo para a elucidação do latrocínio que resultou na morte do comerciante de ouro Edivan Francisco de Moraes, em Teresina. A partir do cruzamento de imagens, a Polícia Civil conseguiu identificar o trajeto utilizado pelos criminosos após o crime, o que levou à prisão de seis suspeitos.
As detenções ocorreram durante a Operação Caronte, deflagrada na manhã desta sexta-feira (23), com ações simultâneas nos municípios de Teresina, Altos e Timon. Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão, além de seis ordens judiciais de prisão.
O crime aconteceu no dia 3 de janeiro deste ano e teve como principal motivação o roubo de ouro e outros objetos de valor pertencentes à vítima.
Segundo as investigações, após a execução do crime, o grupo utilizou o próprio veículo do comerciante para fugir. A movimentação do automóvel foi identificada por meio do sistema inteligente de monitoramento urbano, que permitiu acompanhar o deslocamento em diferentes pontos da capital e reconstruir o caminho percorrido pelos suspeitos.
De acordo com o superintendente de Operações Integradas da Secretaria de Segurança Pública, delegado Matheus Zanatta, o cruzamento das imagens foi essencial para o avanço do inquérito. Ele destacou que o mapeamento das rotas contribuiu diretamente para a identificação dos envolvidos e para a consolidação das provas reunidas.
O Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa acompanhou o caso desde os primeiros momentos. Conforme o delegado Francisco Costa, o crime recebeu tratamento prioritário devido à gravidade e aos indícios de planejamento prévio, característica comum em delitos com motivação patrimonial.
Crime foi articulado com antecedência
As apurações indicam que a ação criminosa foi estruturada com divisão de tarefas entre os envolvidos. O grupo teria atuado desde o contato inicial com a vítima até a logística da fuga.
Edivan Francisco trabalhava com compra e venda de ouro e costumava realizar negociações presenciais. No início de janeiro de 2026, ele passou a receber insistentes contatos sobre uma suposta transação envolvendo aproximadamente 98 gramas do metal, avaliadas em cerca de R$ 40 mil.
Conforme o delegado Natan Cardoso, responsável pela investigação, as mensagens e ligações apontam que a falsa negociação foi utilizada como forma de atrair o comerciante ao local onde o crime seria executado.
No dia do latrocínio, os suspeitos acompanharam o deslocamento da vítima em tempo real. Após a ação, além do ouro e de outros bens, o grupo levou um dispositivo de armazenamento de imagens, numa tentativa de eliminar possíveis registros do crime.
Com o aprofundamento das diligências, a Polícia Civil identificou ainda indícios de que os mesmos investigados possam ter participação em roubos a residências registrados no município de Altos, além de ligação com outros crimes patrimoniais.






