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Prefeito nomeia a própria filha para Secretaria de Esportes em Regeneração

A cidade de Regeneração, no interior do Piauí, voltou ao centro do debate político após o prefeito Eduardo Carvalho, conhecido como “Seu Dua”, nomear a própria filha, Débora Carvalho, popularmente chamada de “A Chefa”, para comandar a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer. A decisão, anunciada na  quarta-feira (14), gerou forte repercussão negativa e reacendeu críticas relacionadas a nepotismo e à concentração de poder familiar na administração municipal.

Embora a nomeação seja considerada legal do ponto de vista jurídico, por se tratar de um cargo político, o ato vem sendo classificado por críticos como imoral, por supostamente afrontar princípios constitucionais como os da moralidade e da impessoalidade na gestão pública.

O que diz a lei

A Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal (STF) proíbe a nomeação de parentes até o terceiro grau para cargos comissionados e funções de confiança. No entanto, o próprio STF entende que cargos políticos, como secretarias municipais, não se enquadram automaticamente nessa vedação, salvo quando há indícios de desvio de finalidade ou ausência de qualificação técnica.

Família no comando da gestão

Com a nomeação de Débora, três filhos do prefeito ocupam cargos estratégicos no primeiro escalão da Prefeitura de Regeneração:

• Juliana Nunes, filha mais velha, é secretária de Finanças;

• Eduardo Filho comanda a Secretaria de Administração;

• Débora Carvalho (“A Chefa”), agora à frente da Secretaria de Esportes.

A decisão, anunciada gerou forte repercussão negativa e reacendeu críticas relacionadas a nepotismo e à concentração de poder familiar na administração municipal.

Além disso, críticos apontam que a primeira-dama, Emiliana Carvalho, exerce influência significativa na administração municipal, com participação direta em decisões administrativas, incluindo nomeações e exonerações. Há ainda relatos de que sobrinhos e genros do prefeito estariam empregados na estrutura da prefeitura, o que amplia as acusações de aparelhamento familiar da máquina pública.

A exoneração do então secretário Márcio Lima, conhecido como “Bodão”, pegou a comunidade esportiva de surpresa. A nomeação de Débora como substituta causou ainda mais estranhamento e intensificou o debate político local.

Analistas avaliam que a mudança, ocorrida logo no início do segundo ano da gestão de Seu Dua, reforça a percepção de centralização do poder nas mãos da família do prefeito, contribuindo para o desgaste político da administração.

Nas ruas e nas redes sociais, a repercussão tem sido majoritariamente negativa. Moradores questionam a falta de alternância, a escassez de critérios técnicos transparentes e defendem uma gestão mais impessoal e democrática.

Patrimônio do prefeito sob questionamento

Outro ponto que tem intensificado as críticas é o fato de que o prefeito Eduardo Carvalho é apontado por opositores e por setores da população como detentor de um patrimônio considerado incompatível com o salário de prefeito.

Embora não haja, até o momento, condenação judicial, chama atenção o fato de que o gestor declara à Justiça Eleitoral não possuir bens de alto valor. No entanto, informações que circulam no município indicam que o prefeito possui uma fazenda bem estruturada e estaria prestes a inaugurar um posto de combustíveis no povoado Morro Branco, zona rural de Regeneração, às margens da rodovia PI-236, no trecho que liga o município a Tanque do Piauí.

Perfil da nova secretária

Débora Carvalho é formada em Fisioterapia e construiu visibilidade no meio esportivo local por meio de investimentos em marketing esportivo, patrocínio a equipes e apoio a eventos. Foi uma das principais apoiadoras do Boca Juniors no bicampeonato regenerense de futsal e, em 2025, promoveu um torneio feminino que trouxe equipes e atletas de fora do município.

Apesar do histórico de atuação no esporte, a pergunta que ecoa em Regeneração vai além da capacidade técnica: é correto que a administração municipal se transforme em um projeto familiar?

A posse já ocorreu, e Débora foi apresentada à comunidade esportiva em reunião com servidores da pasta. Agora, sob olhares atentos e críticas constantes, começa a gestão de “A Chefa” à frente do esporte regenerense — em um cenário onde o debate não é apenas sobre competência, mas, sobretudo, sobre ética na administração pública.

Com a palavra, o Ministério Público.

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