
O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado no processo da trama golpista e alvo de mandado de prisão do STF, afirmou, pela primeira vez, que está “seguro” nos Estados Unidos e que permanece no país com a “anuência” do governo de Donald Trump. A declaração foi dada no domingo (23/11), em entrevista ao programa Conversa Timeline, apresentado pelo blogueiro Allan dos Santos, que também está foragido da Justiça brasileira desde 2021.
A Câmara dos Deputados informou que não autorizou qualquer missão oficial do parlamentar fora do país. De acordo com a Casa, Ramagem apresentou atestados médicos cobrindo o período de 9 de setembro a 8 de outubro e novamente de 13 de outubro a 12 de dezembro, o que justificaria, formalmente, sua ausência das atividades legislativas. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ainda não comentou o caso.
‘Modus operandi’ de fuga citado por Moraes
Na ordem de prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que o ex-mandatário não poderia repetir o comportamento de aliados que, “em passado recente”, deixaram o país para escapar da responsabilização criminal. O magistrado citou nominalmente Eduardo Bolsonaro, hoje réu no Supremo. Para Moraes, a saída clandestina desses integrantes do mesmo grupo político demonstra um “modus operandi” consolidado: fugir do Brasil ao perceber a iminência de medidas penais.
O professor de Direito Constitucional Francisco Braga explica que o ministro buscou mostrar que a prisão preventiva de Bolsonaro se sustenta “não em fatos hipotéticos, mas em condutas concretas verificadas no próprio entorno político do ex-presidente”. Segundo Braga, a repetição dessa estratégia entre aliados “evidencia risco real de fuga e reforça a necessidade da prisão como forma de assegurar a aplicação da lei penal”.
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