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“Ninguém respeita quem não se respeita”, diz Lula sobre revogação das tarifas de Trump

Lula: “Hoje estou feliz porque o presidente Trump começou a reduzir algumas taxas” | YouTube / Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou nesta quinta-feira (20) a decisão dos Estados Unidos de reduzir tarifas que afetavam produtos brasileiros, ressaltando que a medida reflete respeito mútuo e trabalho diplomático. Lula falou sobre o tema durante discurso na abertura do Salão Internacional do Automóvel, no Distrito Anhembi, em São Paulo.

O Brasil estava entre os países mais impactados pelas sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos nos últimos meses. Segundo Lula, a relação diplomática entre os dois países foi determinante para a redução das tarifas.

“Hoje estou feliz porque o presidente Trump começou a reduzir algumas taxas. Essas coisas acontecem quando a gente conquista o respeito das pessoas. Ninguém respeita quem não se respeita. Em política e em economia não existe mágica. É preciso agir de forma possível e no momento certo, sem surpreender ninguém”, afirmou o presidente.

Lula lembrou que, na época do anúncio do chamado “tarifaço” americano, o mercado reagiu com instabilidade, mas ele defendeu que era necessário aguardar para tomar decisões mais acertadas. “Não costumo decidir quando estou com 39 graus de febre. Prefiro esperar a febre baixar, senão você toma decisão errada”, disse.

Oscilações da Bolsa e impacto sobre trabalhadores

O presidente também comentou sobre a importância de previsibilidade em decisões econômicas, criticando anúncios intempestivos que podem gerar instabilidade no mercado financeiro. Ele destacou que variações na Bolsa de Valores não afetam diretamente o trabalhador comum.

“Não é preciso comunicar ninguém à meia-noite que será publicado um decreto. É melhor informar ao meio-dia. Se feito corretamente, não há motivo para temer se a Bolsa vai subir ou cair. Quando a Bolsa cai ou sobe, o trabalhador não perde nada”, explicou.

Reforma tributária e estabilidade institucional

Lula aproveitou para elogiar o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a articulação política que possibilitou a aprovação da reforma tributária, mesmo com um Congresso majoritariamente oposicionista. O presidente ressaltou que a medida deve reduzir o custo dos investimentos no país.

“O país precisa de solidez, tranquilidade e seriedade. Tenho muita sorte de ter escolhido Fernando Haddad, que conseguiu aprovar a reforma tributária mais democrática do país. Conseguimos aprovar a reforma mesmo com apenas 70 deputados entre 513 e nove senadores entre 81. A medida entra em vigor em 1º de janeiro de 2027 e deve baratear investimentos no Brasil”, afirmou.

Revogação de tarifas pelos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que determina a retirada da tarifa de 40% sobre determinados produtos agrícolas brasileiros. O decreto abrange commodities agrícolas, alimentos básicos e processados, fertilizantes, insumos industriais estratégicos e peças técnicas do setor aeronáutico.

Segundo o documento, os Estados Unidos manterão monitoramento das circunstâncias e poderão adotar novas medidas caso necessário.

Posicionamento do Itamaraty

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que recebeu a decisão americana com satisfação e reafirmou a disposição do governo brasileiro de manter o diálogo como meio de solucionar questões bilaterais, destacando a tradição de 201 anos de relações diplomáticas entre os dois países.

“O Brasil seguirá negociando com os EUA visando à retirada das tarifas adicionais sobre o restante da pauta de comércio bilateral”, informou o Itamaraty.

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