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Consciência Negra: conheça mulheres antirracistas que transformaram a história do Brasil

Foto: Reprodução

O Dia da Consciência Negra, celebrado nesta quinta-feira (20), reforça a urgência de revisitar histórias que o Brasil por muito tempo deixou à margem. Entre esses silenciamentos está a atuação de mulheres negras que tiveram papéis decisivos na resistência, na produção intelectual e na formação da sociedade brasileira. Mesmo fundamentais, muitas dessas trajetórias ainda não recebem o destaque que merecem nas escolas, nos livros e na memória coletiva do país.

Valorizar essas figuras é reconhecer que a construção do Brasil passa também por líderes, pensadoras e lutadoras que romperam barreiras impostas pelo racismo e pelo machismo ao longo dos séculos. Nesta data, o Atualize destaca algumas dessas mulheres que transformaram o país e abriram caminhos para novas gerações.

Tereza de Benguela

Líder do Quilombo do Quariterê, em Mato Grosso, Tereza de Benguela organizou uma das mais importantes estruturas de resistência negra do país. Seu quilombo chegou a abrigar mais de cem pessoas. Alguns registros históricos a descrevem como Rainha Tereza, referência à força de sua liderança. Em sua homenagem, o dia 25 de julho é reconhecido no Brasil como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

Antonieta de Barros

Jornalista, educadora e pioneira na política, Antonieta foi a primeira mulher negra eleita no Brasil. Fundou e dirigiu o jornal “A Semana” e criou o Curso Antonieta de Barros, atuando para democratizar o acesso à educação. Foi eleita deputada estadual em Santa Catarina, rompendo barreiras de gênero e raça em uma época em que mulheres negras raramente ocupavam espaços de poder.

Carolina Maria de Jesus

Uma das escritoras brasileiras mais lidas no mundo, Carolina ganhou projeção internacional com “Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada”, publicado em 1960. A obra vendeu dez mil cópias na primeira semana, foi traduzida em mais de vinte idiomas e publicada em mais de quarenta países. Antes do reconhecimento literário, Carolina sustentava sozinha seus três filhos trabalhando como catadora de papel.

Lélia Gonzalez

Intelectual, filósofa e referência do movimento negro, Lélia dedicou sua vida a estudar e denunciar o racismo e o sexismo no Brasil. Graduada em história e filosofia, lecionou na rede pública e deu aulas na PUC-RJ. Participou do Movimento Negro Unificado e de diversos coletivos de mulheres negras. Criou o conceito de Amefricanidade para discutir as raízes culturais da América Latina a partir da influência africana. É autora de obras marcantes como “Lugar de Negro”.

Dandara dos Palmares

Figura essencial na resistência ao regime escravista, Dandara lutou ao lado de Zumbi dos Palmares e participou da defesa militar do Quilombo dos Palmares. Capoeirista e estrategista, liderou batalhas e movimentos de resistência. Embora sua história tenha sido silenciada por séculos, seu nome hoje se consolida como símbolo de coragem e luta pela liberdade.

Sueli Carneiro

Doutora em filosofia pela USP, Sueli é uma das principais vozes do feminismo negro no Brasil. Fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, atuou na formulação de políticas públicas como ações afirmativas e normas antirracistas. É referência na defesa dos direitos das mulheres negras e vencedora de prêmios nacionais e internacionais pelo seu trabalho intelectual e político.

Neste 20 de novembro, reforçar a memória de Tereza, Antonieta, Carolina, Lélia, Dandara e Sueli é reafirmar que a história do Brasil é incompleta sem as contribuições de mulheres negras que desafiaram injustiças, romperam silêncios e transformaram a sociedade.

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