
Os microplásticos — fragmentos minúsculos derivados da degradação de materiais plásticos — tornaram-se onipresentes no planeta. Estão na água, no ar, nos alimentos e, agora, sabe-se, também dentro do corpo humano.
Estudos recentes mostram que essas partículas conseguem atravessar barreiras biológicas e se alojar em tecidos sensíveis, incluindo órgãos reprodutivos. O que antes parecia um problema ambiental distante começa a se revelar como uma ameaça direta à fertilidade de homens e mulheres.
Essas descobertas reforçam a hipótese de que a exposição contínua a poluentes ambientais pode interferir no equilíbrio hormonal, na qualidade dos gametas e até no desenvolvimento embrionário.
Do ambiente ao corpo humano: como ocorre a contaminação
Os microplásticos são liberados por produtos de uso cotidiano — garrafas, embalagens, roupas sintéticas, cosméticos e até pneus de automóveis. As partículas, com menos de 5 milímetros de diâmetro, dispersam-se no ar, na água e no solo, entrando na cadeia alimentar. Estudos indicam que uma pessoa pode ingerir até 5 gramas de microplásticos por semana — o equivalente a um cartão de crédito —, segundo a Universidade de Newcastle, na Austrália.
O impacto ambiental refletido na reprodução
O tema desperta preocupação crescente na comunidade científica. Embora as pesquisas ainda estejam em andamento, o fato de as partículas plásticas serem encontradas em tecidos humanos sensíveis já é motivo de alerta. Na reprodução assistida, por exemplo, a contaminação ambiental poderia ser um fator silencioso de falhas na fertilização e de menor qualidade embrionária. A medicina reprodutiva começa, portanto, a considerar a análise do impacto ambiental como variável no cuidado integral da fertilidade.
A presença de microplásticos no corpo humano é um lembrete contundente de que a saúde reprodutiva não é um tema isolado, mas parte do equilíbrio do planeta.






