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Vizinho do Brasil e terra de Seedorf, Suriname sonha com 1ª Copa

País com pouco mais de 600 mil habitantes, o Suriname está perto de conquistar um feito inédito: disputar uma  Copa do Mundo de futebol. Apesar de ser um país quase “esquecido”, faz fronteira com o Brasil e, por ser uma antiga colônia holandesa, tem diversos craques com raízes ligadas ao solo suriname.

Jogadores como Ruud GullitFrank RijkaardClarence Seedorf e, mais recentemente, Virgil Van DijkRyan Gravenberch e Xavi Simons, todos com passagens pela seleção da Holanda, nasceram no país ou possuem ascendência surinamesa. Agora, pela primeira vez, a seleção local está muito perto de deixar de ser coadjuvante.

De colônia a fábrica de talentos

Reprodução/@officialsvb, @clarenceseedorf, @edgardavidsoficial
Atleta da atual seleção do Suriname e dois ex-jogadores da Holanda nascidos no país: Seedorf e Davids

Para entender a importância desse momento, é preciso olhar para a história. O Suriname foi colonizado pela Holanda  e recebeu o nome de Guiana Holandesa até 1975, quando se tornou independente. Naquela época, muitos surinameses emigraram para a Holanda. A federação local participou das Eliminatórias da FIFA pela primeira vez para a Copa de 1962, ainda como Guiana Holandesa. A estreia como Suriname ocorreu em 1978.

Sem estrutura e com o futebol ofuscado pelo críquete e pela corrida de rua, o país pouco avançou nas competições continentais. Enquanto isso, seus descendentes brilharam na Europa: além de Gullit e Rijkaard, astros da Holanda, Clarence Seedorf nasceu em Paramaribo, capital de Suriname, e se tornou o único jogador a vencer a Liga dos Campeões por três clubes distintos. Atual capitão da seleção holandesa, Virgil Van Dijk também carrega sangue surinamês.

Craques da Holanda que nasceram no Suriname:

  • Clarence Seedorf – Paramaribo, Suriname
  • Edgar Davids – Paramaribo, Suriname
  • Aron Winter – Paramaribo, Suriname
  • Jerrel Floyd “Jimmy” Hasselbaink – Paramaribo, Suriname

Craques da Holanda com descendência surinamesa:

  • Ruud Gullit – pai nascido no Suriname
  • Frank Rijkaard – pai nascido no Suriname
  • Virgil Van Dijk – mãe nascida no Suriname
  • Ryan Gravenberch – pai e mãe com descendência suriname
  • Xavi Simons – pai com descendência suriname

Muitos surinameses que deixaram o país para viver na Holanda não foram sozinhos. É o caso de George Gullit, pai de Ruud Gullit, que chegou aos Países Baixos junto com Herman Rijkaard, pai de Frank Rijkaard. Posteriormente, ambos viraram grandes nomes do futebol mundial.

Elenco atual sem grandes conhecidos

Essa herança faz com que a seleção surinamesa de hoje seja uma mistura de jogadores nascidos no país com atletas criados na diáspora. O treinador Stanley Menzo, goleiro do Ajax na década de 1990, nasceu em Paramaribo e tenta resgatar a identidade local.

O principal nome do elenco é o atacante Gleofilo Vlijter, de 26 anos, que defende o Ujpest da Hungria e já marcou 15 gols em 34 jogos pela seleção. Ele é um dos quatro convocados nascidos em Paramaribo. A maioria dos demais atletas vem da Holanda, e há ainda o volante Denzel Jubitana, nascido na Bélgica. Do futebol local, apenas o goleiro Jonathan Fonkel, 20 anos, representa o SV Robinhood, que já disputou finais da antiga Copa dos Campeões da Concacaf.

Um vizinho pouco lembrado pelo Brasil

Para muitos brasileiros, o Suriname é um vizinho que passa despercebido. O país faz fronteiras com o Amapá e o Pará, mas possui forte ligação cultural e econômica com a Holanda. A língua oficial é o holandês, embora a população fale também sranan tongo, inglês e línguas indígenas.

O país é coberto por floresta tropical e tem poucas estradas. A capital, Paramaribo, concentra quase metade da população. A proximidade geográfica faz com que torcedores no norte do Brasil possam atravessar a fronteira para assistir aos jogos decisivos da seleção nas Eliminatórias. E, caso a seleção se classifique, haverá pela primeira vez um representante sul‑americano fora da Conmebol em uma Copa do Mundo.

Líder inesperado do Grupo A

Com Canadá, México e Estados Unidos já garantidos por serem os países‑sede da Copa de 2026, a Concacaf tem três vagas diretas para distribuir nas eliminatórias rumo ao próximo mundial. Esses lugares serão ocupados pelos vencedores dos grupos A, B e C, enquanto os dois melhores vice-líderes avançam para a repescagem.

O Grupo A é formado por Suriname, PanamáGuatemala e El Salvador. Faltando apenas dois jogos, os surinameses aparecem em primeiro lugar. O time de Stanley Menzo soma 6 pontos, mesmo número do Panamá, mas leva vantagem no número de gols marcados. A Guatemala aparece com 5 pontos, e El Salvador, 3.

Suriname tem jogo decisivo nas Eliminatórias

Nesta quinta-feira (13), os Leões da Selva enfrentam novamente El Salvador no estádio Dr. Franklin Essed, em Paramaribo. A partida começa às 19h (horário de Brasília). O adversário, lanterna do grupo, precisa vencer para continuar vivo, mas sabe que qualquer derrota significa eliminação.

Para o Suriname, um triunfo praticamente o colocará no Mundial. Afinal, chegaria a 9 pontos, deixando o segundo colocado (Panamá ou Guatemala) com possibilidade apenas de igualar a pontuação. Como ainda tem confronto direto com a Guatemala, os surinameses ficariam em boa posição para garantir a vaga na última rodada.

Por que Suriname não joga as Eliminatórias da Conmebol?

Apesar de ser um país da América do Sul, Suriname é associado à Concacaf e, portanto, disputa as Eliminatórias organizadas pela mesma, com países da América do Norte, Central e Caribe. Isso acontece porque o país sempre teve laços esportivos mais ligados diretamente ao Caribe do que ao sul do continente.

Outra barreira que levou Suriname a se associar à Concacaf foi a língua. O holandês é a língua principal do Suriname, enquanto na américa latina se fala apenas português e espanhol. Já países do Caribe falam inglês, francês, e também holandês.

IG

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