
A manhã desta terça-feira (11) foi marcada por manifestações em Teresina. Professores aposentados da rede estadual de ensino realizaram a 4ª Marcha dos Aposentados da Educação do Piauí, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte-PI), em protesto contra os descontos previdenciários aplicados sobre seus proventos.
O ato reuniu dezenas de educadores que caminharam pelas ruas da capital pedindo o fim do chamado “confisco previdenciário”, instituído após a reforma da Previdência de 2019, durante o governo Bolsonaro, e mantido no estado pelo atual governo piauiense.
“Queremos respeito e dignidade”, diz presidenta do Sinte-PI
A presidenta do Sinte-PI, Paulina Almeida, destacou que o objetivo da mobilização é sensibilizar o governador do estado a rever os descontos.
“Essa marcha é pela vida, dignidade e respeito. No Piauí, nós somos desvalorizados, tanto os ativos quanto os aposentados. Estamos lutando para que o governador minimize ou acabe com os descontos da reforma da Previdência, que são muito pesados para quem já contribuiu a vida inteira”, afirmou.
Segundo ela, os descontos variam conforme o tempo de serviço e a formação de cada profissional, podendo ultrapassar R$ 400 ou R$ 500 por mês.
“Num estado que não valoriza seus trabalhadores, esse desconto é inadmissível”, criticou.
Paulina também lamentou a falta de diálogo com o governo estadual:
“Já tentamos inúmeras vezes negociar. Ontem mesmo tínhamos uma audiência agendada há mais de dez dias com os secretários de Educação, Fazenda e Administração para discutir valorização, plano de carreira e concurso público. Eles cancelaram, alegando que nem todos os secretários estariam presentes. Isso é inadmissível”, declarou.
“Os aposentados merecem respeito”, afirma representante da CNTE
O secretário de aposentados e assuntos previdenciários da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Sérgio Kumpfer, esteve em Teresina para apoiar o movimento.
“Viemos ao Piauí em solidariedade à mobilização dos aposentados. Quem já fez tanto pela educação pública merece respeito, atenção e reposição salarial. Precisamos pôr fim ao confisco que atinge até quem ganha apenas um salário mínimo”, defendeu.
Kumpfer explicou que, embora a reforma da Previdência de 2019 tenha permitido que estados e municípios voltassem a cobrar contribuição de aposentados, muitos estados já reduziram ou revogaram essa cobrança, algo que o Piauí ainda não fez.
“É uma luta árdua, que exige mobilização e pressão sobre as Assembleias Legislativas e os governos. Também aguardamos que o Supremo Tribunal Federal decida, de uma vez por todas, sobre o fim dessa cobrança injusta”, completou.
“Trabalhamos 33 anos e agora somos penalizados”, diz professor aposentado
O professor de História Evandro Santos, com 33 anos de sala de aula, também participou do ato.
“Nunca fiquei à disposição, nunca dei um atestado médico. Trabalhei com dedicação e agora vejo parte do meu salário sendo levada de volta pelo governo. Pago cerca de R$ 600 por mês de desconto previdenciário, dinheiro que faz falta para remédios e alimentação”, relatou.
Evandro criticou a manutenção da cobrança no Piauí, enquanto outros estados já suspenderam a medida.
“Pagamos a Previdência por mais de trinta anos para garantir a aposentadoria, e no fim levamos um prejuízo de 15% a 25%. Isso é um absurdo. O governo precisa rever essa situação”, desabafou.
Contexto nacional
A reforma da Previdência de 2019 alterou regras para aposentadorias e pensões em todo o país, permitindo que estados e municípios cobrem contribuição previdenciária de servidores inativos que recebem acima de um salário mínimo. A medida, vista por sindicatos como “confisco dos aposentados”, tem sido contestada em diversos tribunais e motivado protestos em várias unidades da federação.
No Piauí, o movimento dos aposentados promete continuar com as mobilizações até que o governo estadual abra diálogo e reveja a cobrança.






