PUBLICIDADE

Estudantes e professores da UFPI embarcam para a COP-30 em busca de justiça climática

Foto: Divulgação

Com destino a um dos eventos ambientais mais importantes do mundo, cinquenta estudantes da Universidade Federal do Piauí (UFPI) embarcaram na manhã desta segunda-feira (10) para Belém, no Pará, onde acontece a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-30). A caravana é coordenada pelos professores Socorro Arantes e Mairton Celestino e é formada, em sua maioria, por estudantes indígenas que atuam em pesquisas sobre meio ambiente e gestão territorial.

A COP-30, que se estende até o dia 21 de novembro, tem abertura oficial prevista para as 10h, com pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A escolha de Belém como sede reforça o papel estratégico da Amazônia na regulação do clima e na preservação da biodiversidade global.

Pesquisa e protagonismo indígena

A comitiva da UFPI participa da conferência com o objetivo de fortalecer pesquisas de mestrado e doutorado conduzidas por estudantes indígenas. As investigações abordam formas de gestão ambiental e territorial que conciliam saberes tradicionais e científicos como estratégias para enfrentar a crise climática. O projeto conta com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

No espaço oficial da ONU destinado a apresentações de delegações, conhecido como Zona Azul, o grupo apresentará o trabalho “Jovens Indígenas e Emergência Territorial na Proteção dos Ecossistemas do Cerrado para a Justiça Climática”. A proposta destaca a importância do protagonismo da juventude indígena na proteção dos biomas brasileiros, com foco na integração entre o Cerrado e a Amazônia.

Segundo a professora Socorro Arantes, a presença desses jovens pesquisadores evidencia a contribuição dos povos indígenas na construção de soluções para o futuro do planeta. Ela afirma que o conhecimento tradicional aliado à pesquisa acadêmica amplia as possibilidades de enfrentamento aos impactos ambientais e sociais da crise climática.

Cerrado e Amazônia: biomas conectados

As ações apresentadas pelo grupo da UFPI demonstram como os biomas do Cerrado e da Amazônia estão interligados e são fundamentais para a estabilidade climática. O Cerrado, considerado a principal fonte de água doce do país, já perdeu cerca de 50% de sua vegetação nativa, de acordo com o MapBiomas. Essa destruição compromete não apenas a biodiversidade, mas também a segurança hídrica de várias regiões do Brasil.

Ao levar essa pauta para um fórum internacional, os estudantes destacam que a preservação ambiental precisa reconhecer os povos indígenas como protagonistas e não apenas como participantes das políticas de conservação. São eles que vivem e manejam esses territórios de forma sustentável há séculos, acumulando saberes que agora dialogam diretamente com a ciência global.

Ciência, cultura e justiça climática

A presença da UFPI na COP-30 é também um marco simbólico para o Piauí. O grupo leva à conferência o conhecimento produzido na universidade e reforça a importância da ciência feita a partir das realidades locais e das experiências dos povos originários.

Mais do que um espaço de negociação entre países, a COP-30 é uma oportunidade de visibilizar propostas que unem tradição e inovação. Para os estudantes da UFPI, a justiça climática depende do reconhecimento da diversidade de saberes e da valorização das comunidades que historicamente protegem o meio ambiente.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!

RECENTES

MAIS NOTÍCIAS