
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre nesta quinta-feira (6) a Cúpula de Líderes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, no Pará. O encontro reúne mais de 50 chefes de Estado e marca o início político das discussões climáticas que antecedem as negociações formais da conferência, previstas para ocorrer entre os dias 10 e 21 de novembro.
De acordo com o Palácio do Planalto, as atividades têm início às 8h, com a chegada das delegações ao Parque da Cidade, local que sedia a COP30. O espaço foi dividido em duas áreas principais: a zona azul, destinada às negociações oficiais entre os países, e a zona verde, voltada para debates com a sociedade civil, instituições públicas e privadas, e líderes globais.
Lula será o anfitrião do evento, recepcionando os líderes e discursando na cerimônia de abertura, no Salão Plenário. Durante o almoço, o presidente apresentará oficialmente o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa que busca financiar ações de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável em países com grandes áreas de florestas tropicais.
No período da tarde, os participantes se reúnem para uma sessão temática sobre Clima e Natureza, com foco em florestas e oceanos. O primeiro dia será encerrado com uma sessão de fotos e um coquetel oferecido pelo governo brasileiro.
Na sexta-feira (7), a programação segue com discursos dos chefes de Estado e uma nova sessão temática, desta vez voltada à transição energética. O encontro termina com a Mesa Redonda de Líderes, que fará um balanço dos dez anos do Acordo de Paris, documento que estabelece metas para limitar o aquecimento global a 1,5°C até o final do século. Também devem ser discutidas novas estratégias de financiamento climático.
Ao todo, 143 delegações participam da cúpula em Belém, incluindo vice-primeiros-ministros, ministros de finanças, meio ambiente e relações exteriores, além de representantes de organismos internacionais como a ONU, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O que é o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF)
O TFFF é uma proposta do Brasil para incentivar a conservação de florestas tropicais por meio de um fundo internacional de investimento sustentável. A ideia é que países que mantêm suas florestas em pé recebam compensações financeiras proporcionais à área preservada.
Diferentemente de modelos tradicionais, o fundo captará recursos no mercado financeiro com juros reduzidos, reinvestindo-os em projetos de alto retorno. A diferença entre o rendimento e o custo do empréstimo será repassada aos países preservacionistas, enquanto os investidores receberão retorno garantido.
Cada país poderá receber até 4 dólares por hectare conservado, mediante comprovação, por satélite, de que o desmatamento anual não ultrapassou 0,5%. O governo estima que o fundo beneficiará 74 países com florestas tropicais e subtropicais, que juntos somam mais de 1 bilhão de hectares de vegetação nativa. Entre eles estão Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo.
Segundo Lula, o fundo deve ser administrado por instituições financeiras internacionais, como o Banco Mundial, e busca equilibrar rentabilidade e sustentabilidade. O presidente afirmou que se trata de um modelo de ganha-ganha, no qual o investidor obtém retorno e os países que preservam suas florestas recebem recursos para continuar protegendo o meio ambiente.






