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Polícia interdita 31 postos de combustíveis no PI em ação contra esquema bilionário ligado ao PCC

A Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), por meio da Polícia Civil, deflagrou nesta terça (4) e quarta-feira (5) a Operação Carbono Oculto 86, que revelou a infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis do estado. A ação resultou na interdição de 31 postos de combustíveis localizados em 11 municípios piauienses, além da apreensão de bens de alto valor e bloqueio de centenas de milhões de reais.

Segundo as investigações, o grupo criminoso utilizava empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para lavar dinheiro, fraudar o mercado de combustíveis e ocultar patrimônio. O esquema movimentou cerca de R$ 5 bilhões em transações financeiras atípicas, conectadas a operadores financeiros já investigados na primeira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto.

Postos interditados em 11 cidades piauienses

De acordo com a SSP-PI, os postos de combustíveis interditados estão localizados nas cidades de:

Teresina, Lagoa do Piauí, Demerval Lobão, Miguel Leão, Altos, Picos, Canto do Buriti, Dom Inocêncio, Uruçuí, Parnaíba e São João da Fronteira.

Somente em Teresina, 16 postos foram interditados. Os estabelecimentos pertencem a um grupo econômico investigado por movimentações financeiras irregulares, suspeito de utilizar o comércio de combustíveis para lavar dinheiro do crime organizado.

Ação policial e bens apreendidos

Foram interditados postos de combustíveis em Teresina, Lagoa do Piauí, Demerval Lobão, Miguel Leão, Altos, Picos, Canto do Buriti, Dom Inocêncio, Uruçuí, Parnaíba e São João da Fronteira. // Imagem: Divulgação/SSP-PI

Durante a operação, os policiais civis cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos principais investigados. Foram realizadas diligências em casas de luxo localizadas em condomínios nos bairros Uruguai e Novo Uruguai, além de cinco apartamentos nas zonas Leste, Sudeste e Sul de Teresina.

A Justiça determinou o sequestro de R$ 348 milhões em bens e valores pertencentes a 10 pessoas físicas e 60 empresas. Entre os bens apreendidos estão quatro aviões — modelos Raytheon Aircraft 400A, Astra SPX, Aircraft C90A e Cessna 210M — e um Porsche avaliado em meio milhão de reais.

As aeronaves pertencem ao empresário Haran Santhiago Girão Sampaio, apontado como um dos principais operadores do esquema. Outros investigados no Piauí incluem Danillo Coelho de Sousa, Moisés Eduardo Soares Pereira, Salatiel Soido de Araújo, Denis Alexandre Jotesso Villani e João Revoredo Mendes Cabral Filho.

Medidas judiciais e restrições

Os empresários investigados estão proibidos de sair de Teresina e de mudar de endereço sem autorização judicial. Eles também não podem manter contato entre si, nem por meio de redes sociais ou aplicativos de mensagens. Além disso, devem comparecer ao tribunal sempre que forem intimados.

Esquema bilionário no setor de combustíveis

A Operação Carbono Oculto 86 revelou que o grupo criminoso usava laranjas e estruturas empresariais fictícias para manipular o mercado de combustíveis, prejudicar a concorrência, fraudar o fisco e lavar dinheiro do PCC.

As empresas envolvidas faziam parte de uma rede de negócios que incluía fintechs e fundos de investimento, com movimentações financeiras que ultrapassam R$ 5 bilhões.

De acordo com a Polícia Civil do Piauí, o esquema resultava também na venda de combustível adulterado e em fraudes fiscais que causaram prejuízos milionários aos cofres públicos.

Autoridades reforçam combate ao crime organizado

A Operação Carbono Oculto 86 é uma continuidade da ofensiva iniciada em agosto, considerada a maior operação já realizada contra o crime organizado no país. No Piauí, a ação contou com o apoio da Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público do Piauí e Ministério Público de São Paulo.

Uma coletiva de imprensa foi marcada para as 11h desta quarta-feira (5), na sede do Ministério Público do Piauí, em Teresina, onde as autoridades irão detalhar os resultados e próximos passos da investigação.

“O Piauí foi um dos estados onde a estrutura criminosa mais avançou no setor de combustíveis. Estamos desarticulando uma rede bilionária que alimentava financeiramente o PCC e comprometia a economia local”, afirmou um dos delegados que coordenam a operação.

Com a interdição dos postos e o bloqueio dos bens, o governo estadual e os órgãos de segurança esperam frear o avanço das atividades financeiras do PCC no Piauí e restabelecer a regularidade do mercado de combustíveis.

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