
A Central Única das Favelas (Cufa) prepara a terceira edição da Expo Favela Innovation Piauí, que será realizada em Teresina, nesta terça (4) e quarta-feira (5). O evento tem como objetivo promover o empreendedorismo nas comunidades periféricas, reunindo negócios, iniciativas sociais e manifestações culturais em um mesmo espaço.
De acordo com o representante da Cufa no Piauí, Valcian, a edição deste ano contará com a participação de 40 empreendedores de diferentes segmentos, como moda, culinária, tecnologia, inovação e educação. “Eles vão mostrar como geram renda e emprego dentro das suas comunidades, além de realizar networking entre si e apresentar seus negócios a potenciais investidores”, destacou.
Além dos estandes de expositores, a programação inclui palestras, bate-papos e oficinas com foco em capacitação e fortalecimento de empreendedores periféricos. Instituições parceiras, como as Secretarias de Saúde e Segurança Pública e a Defensoria Pública do Estado, também estarão presentes oferecendo serviços gratuitos ao público visitante.
Entre os espaços temáticos da feira estão a Favela Literária, voltada a autores e autoras das periferias; a Favela Kids, com atividades recreativas e contação de histórias; a Favela Games, que disponibilizará videogames para o público jovem; e a Favela Style, que valoriza o visual e a estética das comunidades, com tatuadores, cabeleireiros e designers locais.
A entrada é gratuita, e o evento funcionará das 15h às 20h, nos dois dias de programação.
Demandas das comunidades
Durante a preparação da Expo Favela, a Cufa realizou, em parceria com o Instituto Data Favela, uma pesquisa para identificar as principais demandas da população periférica de Teresina. Segundo Valcian, a saúde pública está entre as maiores preocupações.
“Na Vila Irmã Dulce, por exemplo, a principal reivindicação é a construção de uma unidade de saúde. Muitas famílias precisam se deslocar até o bairro Promorar, o que representa um gasto significativo com transporte, dinheiro que poderia ser utilizado na compra de medicamentos”, explicou.
Outros temas citados na pesquisa incluem a melhoria da coleta de lixo, o reforço na segurança pública e o aumento da presença do poder público em áreas mais vulneráveis da cidade.
Combate ao estigma e valorização do potencial das favelas
Valcian destacou que o trabalho da Cufa busca combater a marginalização histórica das periferias e mostrar o potencial econômico e social desses territórios.
“O nosso objetivo é mudar o olhar sobre as favelas, mostrando que elas não são apenas espaços de carência, mas também de inovação e geração de renda. As favelas movimentam mais de R$ 212 bilhões por ano em potencial de consumo no Brasil. Quando realizamos a Expo Favela, queremos mostrar que o poder público e o setor privado precisam acreditar nesse potencial”, afirmou.






