É de clareza solar a orquestração da extrema-direita para desestabilizar o governo Lula, que se encontra em seus melhores momentos nacional – com desemprego na mínima histórica e inflação declinante – e internacional – com a lição de soberania e capacidade de negociação dada no affair provocado pela insanidade do presidente dos Estados Unidos.
A inacreditável ação da polícia carioca contra o Comando Vermelho não deve ter sido concebida com a finalidade de gerar caos social para que a responsabilidade fosse jogada no colo do Governo Federal, mas a ideia de fazê-lo surgiu assim que constatado o desastre da operação. Não é uma estratégia nova e seu replay ocorre logo após Lula dar uma declaração mal formulada sobre traficantes e usuários de drogas.

Ligar Lula, o PT, a esquerda e qualquer coisa civilizada a criminosos é coisa antiga, até porque a extrema-direita brasileira, voz forte na nossa atrasada elite, gostaria vê-los todos mortos. Esta coluna, felizmente, possui memória e ferramentas de pesquisa, e buscou as mais recentes tentativas, mediante fake news, de imbricar Lula com o crime organizado – todas infrutíferas, por fantasiosas.
• Outubro de 2022 — Vídeos falsos e áudios de presos usados para dizer que “o crime apoia Lula”. Campanhas em WhatsApp/Telegram e redes sociais circularam vídeos e áudios (muitos falsos ou fora de contexto) alegando que presidiários e facções teriam orientado apoio a Lula; eram usados por bolsonaristas para sugerir um “apoio do crime organizado” ao PT.
• Outubro de 2022 — Postagens tentando associar Lula ao PCC e à facção de Marcola. Publicações e menções em redes e por apoiadores tentaram conectar Lula a Marcola como prova de aliança entre PT e facções; reportagens investigativas e fact-checking mostraram que essa narrativa foi promovida durante o 2º turno da eleição presidencial.
• Outubro-novembro de 2022 — Decisões e checagens do TSE contra desinformação. O TSE e agências de checagem desmentiram fake news que vinculavam Lula a voto ou ordens do PCC; o tribunal e parceiros publicaram compilações de boatos e providências.
• Janeiro de 2023 (contexto pós-eleição) — Insurreição de apoiadores de Bolsonaro e narrativas sobre “facções”. Após a posse de Lula, o ataque de 8 de janeiro e a retórica de bolsonaristas passaram a incluir acusações recíprocas e insinuações sobre ligações entre governo e grupos ilegais; o episódio também alimentou narrativas sobre conspirações e apoios criminosos.
• Maio de 2023 — Multa do TSE a parlamentares por vincularem Lula a crimes, como o caso Celso Daniel. Parlamentares foram multados por divulgarem informações que vinculavam Lula a episódios criminais (a decisão não é, por si só, sobre facções, mas faz parte do padrão de tentar ligar Lula a práticas criminosas publicamente).
• 2023–2024 — Campanhas em Telegram e redes com “top 10” imagens/prints que ligavam o PT a facções. Investigações jornalísticas e monitoramento de desinformação documentaram listas/coleções de imagens mais compartilhadas em grupos de direita que buscavam construir um “dossiê” público de ligação entre Lula/PT e facções — muitas vezes com material fora de contexto.
• Julho de 2025 — Testemunho em processo no STF: servidor afirma que, no governo Bolsonaro, houve tentativas de ligar Lula a facções. Em audiência no STF, um analista/servidor afirmou que, já em 2022, houve buscas e pedidos de dados que teriam a finalidade de relacionar Lula a facções criminosas — é uma peça relevante porque vem de um depoimento institucional.






