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Megaoperação no Rio já conta com 128 mortos e expõe colapso da segurança pública

Rio de Janeiro vive dia de guerra com mais de 60 mortos em ação policial.

A nova etapa da Operação Contenção, deflagrada na manhã desta terça-feira (28), transformou a cidade do Rio de Janeiro em um cenário de guerra. Pelo menos 128 pessoas morreram, entre elas quatro policiais, sendo dois civis e dois militares, durante a ação que mobilizou 2.500 agentes de segurança nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da capital. As informações são da Rede Globo às 11 horas

O número de mortos já supera o da operação realizada no Jacarezinho em 2021, até então considerada a mais letal da história do estado. Em meio ao confronto, 81 pessoas foram presas e 75 fuzis apreendidos, além de grande quantidade de munições e artefatos explosivos.

Nas primeiras horas da tarde, a cidade mergulhou no caos. Barricadas, explosões e tiroteios se espalharam por diversas regiões, incluindo a Linha Amarela, a Grajaú-Jacarepaguá e o Méier. A circulação foi interrompida em vários pontos, e o Centro de Operações e Resiliência do Rio elevou o nível de alerta para o estágio 2, em uma escala de 5.

Com os múltiplos bloqueios, a Polícia Militar determinou que todo o efetivo fosse deslocado para as ruas e suspendeu as atividades administrativas.

Violência sem controle

Segundo as forças de segurança, a operação tinha como objetivo cumprir 100 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho. A reação, no entanto, foi imediata e violenta. Traficantes incendiaram barricadas, dispararam drones com explosivos e entraram em confronto direto com os agentes.

Vídeos registrados por moradores mostram um cenário de desespero, com centenas de disparos em menos de um minuto e colunas de fumaça tomando as comunidades. Muitos relataram medo e falta de acesso a serviços básicos, já que ambulâncias e ônibus ficaram impedidos de circular.

Durante a ação, morreram os policiais Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, de 51 anos, conhecido como Máskara, recém-promovido a chefe de investigação da 53ª DP em Mesquita, Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, da 39ª DP na Pavuna, Cleiton Serafim Gonçalves, policial do Bope, e Herbert, também integrante do Bope.

Líder do tráfico preso

Enquanto as autoridades concediam entrevista coletiva, o traficante Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão do Quitungo, foi preso. Ele é apontado como braço direito de Edgard Alves de Andrade, o Doca, uma das principais lideranças do Comando Vermelho.

Belão era considerado um dos chefes do tráfico na região da Penha e responde por crimes ligados ao comércio de drogas, armas e disputas violentas por território.

Crítica e responsabilidade

Durante pronunciamento, o governador Cláudio Castro afirmou não ter solicitado apoio do governo federal, alegando que três pedidos anteriores de empréstimo de blindados haviam sido negados. Segundo ele, a liberação só seria possível com autorização de uma Garantia da Lei e da Ordem, instrumento que o presidente Lula se recusa a adotar.

A declaração gerou críticas. Especialistas em segurança pública apontam que o governo estadual tem falhado em apresentar uma política consistente de enfrentamento ao crime, apostando repetidamente em operações de alto custo humano e sem resultados duradouros.

Enquanto o governador responsabiliza Brasília pela falta de apoio logístico, a população fluminense continua refém de um conflito que parece não ter fim. A aposta repetida em operações militares de grande escala não trouxe estabilidade duradoura às comunidades nem diminuiu o poder das facções. Ao contrário, deixou um rastro de mortos, presos e famílias desamparadas.

Especialistas e lideranças comunitárias cobram uma investigação independente sobre os acontecimentos e pedem transparência quanto às regras de engajamento adotadas pelas forças de segurança. Organizações de direitos humanos lembram que números elevados de mortes em operações policiais exigem apuração rigorosa e medidas para prevenir novas tragédias.

No plano político, a ação reabre o debate sobre a estratégia de segurança no estado. Para críticos, é insuficiente responsabilizar apenas o governo federal por limitações operacionais. É preciso um plano coordenado que una ações policiais com políticas sociais, investimentos em inteligência e programas de prevenção que alcancem as áreas mais vulneráveis.

As famílias das vítimas clamam por respostas e por acolhimento. Moradores relatam prejuízos materiais e trauma psicológico, e há relatos de impedimento à circulação de serviços essenciais durante as horas mais críticas da operação. Socorristas e serviços de saúde locais enfrentaram dificuldades para acessar as áreas em conflito, segundo moradores e testemunhas.

Autoridades locais informaram que as apurações internas serão iniciadas e que relatórios sobre a operação serão divulgados nas próximas horas. O Ministério Público e corregedorias competentes já sinalizaram interesse em acompanhar os desdobramentos, conforme as primeiras comunicações oficiais.

A cidade amanhece abatida e se pergunta se o preço pago hoje evitará mais mortes amanhã. Sem uma mudança real de rumos na segurança pública e sem políticas que abordem a raiz do problema, as operações podem continuar a repetir o mesmo ciclo de violência e dor.

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