
O Cerrado parece calado. Só parece. Basta baixar o ouvido à terra vermelha para sentir a vida se movendo lá embaixo. É ali, entre raízes e formigueiros, que vive o tatu bola, o pequeno guardião de um mundo que insiste em sobreviver.
Mas, claro, o inimigo de hoje não é o lobo guará nem o gavião carcará. É o homem, com suas máquinas e cercas que parecem não ter fim.
O solo respira graças a ele
Os cientistas gostam de chamá-lo de “engenheiro ecológico”. Nome bonito, mas o que ele faz é simples e grandioso: cava, revolve, mistura, transforma o chão em vida. Cada buraco que o tatu bola abre é uma pequena revolução. Ali a água infiltra melhor, o ar circula, os nutrientes se misturam. É como se ele, com suas garras e paciência, mantivesse o Cerrado respirando.
Em troca, o bioma oferece abrigo, alimento, sombra. Era um pacto antigo, até que o desmatamento entrou em cena e rasgou o acordo. Hoje restam menos da metade das matas originais. Onde antes havia campos de flores e árvores tortas dançando ao vento, agora há pastos, plantações, poeira.







