
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na noite de quinta-feira (16), que líderes estrangeiros não devem interferir nas decisões internas da Venezuela. Segundo o petista, “o povo venezuelano é dono do seu destino” e cabe apenas a ele definir o futuro do país.
A declaração foi feita durante o congresso do PCdoB, em Brasília, em meio ao aumento das tensões entre os Estados Unidos e o governo de Nicolás Maduro.
“Todo mundo diz que a gente vai transformar o Brasil na Venezuela. O Brasil nunca vai ser a Venezuela, e a Venezuela nunca vai ser o Brasil. O que defendemos é que o povo venezuelano é dono do seu destino, e não é papel de nenhum outro presidente dar palpite sobre como deve ser a Venezuela ou Cuba”, disse Lula.
Não é a primeira vez que o presidente brasileiro se posiciona contra ações externas na América Latina. Em setembro, durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, Lula manifestou preocupação com o “momento de instabilidade” vivido na região e criticou o uso de força militar fora de contextos de guerra.
“Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento”, afirmou na ocasião.
O presidente também ressaltou que a América do Sul é um continente “livre de armas de destruição em massa” e defendeu que o combate ao tráfico de drogas deve ser baseado na cooperação internacional, especialmente no controle de armas e na repressão à lavagem de dinheiro.
Escalada de tensões no Caribe
Desde agosto, as relações entre Venezuela e Estados Unidos se deterioraram após Washington enviar navios militares ao sul do Caribe, sob o argumento de combater o narcotráfico. A movimentação gerou preocupação em Caracas, onde o governo de Nicolás Maduro ordenou a mobilização de tropas e milicianos diante do que considera uma possível ofensiva disfarçada.
Os EUA acusam Maduro de envolvimento com o tráfico internacional de drogas e o consideram um dos principais articuladores do envio de entorpecentes ao território norte-americano. Nas últimas semanas, a tensão aumentou com relatos de ataques de forças norte-americanas a embarcações venezuelanas supostamente ligadas ao narcotráfico.
Em resposta, Maduro reforçou o patrulhamento no Caribe, enviando cerca de 25 mil militares à região e intensificando a vigilância aérea sobre navios estrangeiros.
Na quarta-feira (16), o ex-presidente norte-americano Donald Trump autorizou a CIA a realizar operações secretas na Venezuela. Segundo o jornal The New York Times, a Casa Branca teria admitido, em conversas reservadas, que o objetivo final das ações é promover a saída de Maduro do poder.
O governo venezuelano levou o caso ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, pedindo que os ataques norte-americanos sejam considerados ilegais e acusando os EUA de causar a morte de pelo menos 27 pessoas. Caracas também solicitou que o órgão reforce o princípio da soberania e da integridade territorial dos Estados-membros, incluindo a Venezuela.






