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Ao depor, Sol Pessoa disse obedecer ‘ordens superiores’ e revela beneficiados de esquema

A ex-chefe de gabinete confirmou alguns pontos apresentados pela polícia, que agora deve realizar diligências, na tentativa de comprovar os fatos apresentados no depoimento

Em depoimento que durou cerca de uma hora e meia, a ex-chefe de gabinete do ex-prefeito de Teresina-PI, Dr. Pessoa, Suelene da Cruz Pessoa, conhecida como Sol Pessoa, deu explicações a respeito do esquema investigado durante a operação “Gabinete de Ouro”, do Departamento de Combate à Corrupção (DECCOR). Ela prestou depoimento na manhã desta quinta-feira (16 de outubro de 2025) por videoconferência à polícia.

De acordo com informações obtidas pela reportagem, a investigada afirmou que “recebia ordens superiores” e admitiu que pessoas ligadas ao primeiro escalão da gestão passada teriam sido beneficiadas com o esquema de propina.

A ex-chefe de gabinete confirmou alguns pontos apresentados pela polícia, que agora deve realizar diligências, na tentativa de comprovar os fatos apresentados no depoimento.

Os outros três envolvidos, que também seguem presos, foram ouvidos ao longo de todo o dia de hoje, todos por videoconferência.

O depoimento de Sol Pessoa aconteceu na Penitenciária Feminina, onde ela está presa. A prisão deve durar cinco dias.

Segundo foi apurado, a ex-chefe de gabinete teria admitido o esquema de rachadinha, mas afirmou que o dinheiro não era para ela e que pessoas ligadas ao primeiro escalão da gestão poderiam ser beneficiadas com esse dinheiro.

Os depoimentos dos outros três envolvidos podem confirmar parte das informações obtidas com ela. Eles estão sendo investigados por causa das trocas de mensagens e documentos como boletos de pagamento de aluguel obtidos nas buscas e apreensões durante a operação.

O interrogatório de Sol Pessoa iniciou às 10h, na Penitenciária Feminina e se encerrou por volta das 11h30. Ela é acompanhada pelo advogado Djalma Filho.

A operação

A operação “Gabinete de Ouro” foi deflagrada na terça-feira (14 de outubro de 2025) pela Polícia Civil e resultou na prisão temporária da ex-chefe de gabinete Suelene da Cruz Pessoa (Sol Pessoa), do servidor público Rafael Thiago, do servidor terceirizado Mauro José e do empresário Marcus Almeida.

Segundo a polícia, até o momento, as investigações indicam que o ex-prefeito Doutor Pessoa não tinha conhecimento do esquema.

Durante coletiva de imprensa realizada na terça-feira, o delegado Ferdinando Martins explicou que o alto volume de movimentações financeiras realizadas pelos investigados chamou a atenção das autoridades e motivou o início das investigações.

 “O volume transacionado por eles foi tão grande que o Coaf, órgão de monitoramento financeiro, apontou movimentações atípicas, o que culminou na investigação atual”, explicou o delegado.

De acordo com o delegado, Sol Pessoa coordenava todo o esquema.

“Ela tinha forte gestão e controle sobre todos os atos da administração pública, principalmente na lotação e realocação de terceirizados e servidores comissionados, envolvendo pagamentos a fornecedores. O trabalho demonstrou que um imóvel adquirido por ela tem vinculação com eventual vantagem ilícita”, detalhou Ferdinando Martins.

Conversas revelam esquema

Nas mensagens, Sol Pessoa pede para Marcus Almeida, que era servidor terceirizado, agilizar a nomeação de pessoas para cargos comissionados em secretarias municipais. Em um dos diálogos, ela solicita que uma pessoa seja lotada na Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi), com salário de R$ 4 mil.

As investigações apontam que algumas pessoas com cargos comissionados, especialmente as que recebiam salários mais altos, prestavam serviços pessoais à ex-chefe de gabinete. Um dos casos é o de uma pessoa nomeada na prefeitura que atuava como motorista particular de Sol Pessoa.

Ainda segundo a investigação, vários desses servidores recebiam salário, mas não trabalhavam efetivamente nas secretarias.

Sol Pessoa também teria enviado boletos de aluguel para serem pagos pelo servidor público Rafael Thiago, um dos presos na operação. Durante as buscas, a polícia encontrou cartões bancários de Rafael na residência de Sol, além de cartões de ex-servidores, levantando a suspeita de que ela continuava movimentando contas mesmo após o fim da gestão.

A ex-chefe de gabinete confirmou alguns pontos apresentados pela polícia, que agora deve realizar diligências, na tentativa de comprovar os fatos apresentados no depoimento

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