
Em 1917, uma vila no interior de Portugal virou manchete mundial. Três crianças de Fátima afirmaram ter visto a Virgem Maria, que, segundo elas, prometera aparecer todo dia 13 durante meio ano. O rumor cresceu rapidamente e, em pouco tempo, peregrinos, curiosos e jornalistas começaram a se dirigir ao local.
Um espetáculo que ninguém conseguiu registrar
Os relatos descrevem o Sol girando no céu, lançando faixas de luz colorida e parecendo cair sobre a Terra antes de voltar ao seu lugar. Um dos observadores, o professor José Maria de Almeida Garrett, afirmou ter visto o ambiente se transformar em tons amarelados e violetas, como se tudo estivesse coberto por uma névoa. Segundo ele, manteve a calma, mas reconheceu a estranheza da cena.
Entre as hipóteses mais aceitas está o sun dog — efeito óptico causado por cristais de gelo em grandes altitudes, capaz de criar halos luminosos e reflexos coloridos. O pesquisador Artur Wirowski, da Universidade de Tecnologia de Lodz, defende essa explicação, embora admita que os relatos sejam muito variados.
Já o site IFL Science sugere uma razão mais terrena: a combinação de histeria coletiva com retinopatia solar, uma lesão provocada por olhar o Sol por tempo prolongado. Essa condição pode gerar distorções visuais e imagens residuais, fazendo com que o astro pareça se mover ou mudar de cor.
Apesar das teorias, nenhuma prova material foi produzida. Mesmo com dezenas de fotógrafos presentes, não há imagens do momento. Mais de um século depois, o “Milagre do Sol” continua a dividir fiéis e céticos — uma mistura de devoção, expectativa e fenômeno óptico que permanece sem explicação definitiva.






