
O Hospital de Urgência de Teresina (HUT) registrou redução nos atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito em 2025. De acordo com levantamento do próprio hospital, foram 6.477 ocorrências até setembro, contra 10.925 em todo o ano de 2024.
Apesar da melhora, o diretor clínico Rogério Medeiros alerta que os números ainda são altos e refletem o comportamento de risco de muitos condutores, principalmente motociclistas, que continuam sendo as principais vítimas.
Motociclistas concentram a maioria dos atendimentos

Os dados mostram que 85% dos acidentes registrados no HUT envolvem motos. Para Medeiros, essa predominância está relacionada à imprudência e à vulnerabilidade do motociclista no trânsito.
“Toda diminuição precisa ser comemorada, mas ainda há muitos acidentes associados ao álcool e a infrações no trânsito”, afirmou.
O médico chama atenção para lesões comuns entre os motociclistas, especialmente amputações de dedos e pés. Ele explica que o hábito de pilotar de sandálias aumenta os riscos em caso de queda.
“Por causa do clima, muita gente anda de chinelo. Isso tem gerado amputações frequentes. O uso de botas ou calçados fechados pode evitar danos sérios”, orientou.
Além do calçado, o diretor reforça a importância do capacete e do cinto de segurança, lembrando que a prevenção ainda é o melhor caminho para reduzir as tragédias no trânsito.
Imprudência e álcool seguem como principais causas
Mesmo com a redução nos números gerais, o consumo de álcool antes de dirigir ainda é apontado como uma das causas mais graves dos acidentes.
“A sociedade precisa combater com firmeza a mistura de álcool e direção. O trânsito não é lugar para imprudência”, ressaltou Medeiros.
Segundo ele, o aumento da fiscalização e as ações educativas têm contribuído para a diminuição dos acidentes, mas a mudança de comportamento é o fator mais determinante.
“Podemos ter leis e campanhas, mas se o condutor não mudar sua postura, os acidentes vão continuar”, reforçou.
Atendimentos de trauma ainda sobrecarregam o hospital
Mesmo com a queda no total de ocorrências, os atendimentos de vítimas de acidentes continuam representando uma parte significativa da rotina do HUT. O médico lembra que o trauma é uma das maiores causas de internações e exige recursos intensivos da rede pública.
“O trauma é uma epidemia. Atinge homens jovens e produtivos. Quem sobrevive, muitas vezes, fica com sequelas e perde a qualidade de vida”, explicou.
Essas ocorrências, segundo Medeiros, também impactam o funcionamento do hospital, que precisa dividir a estrutura entre casos de trauma e outras emergências médicas.
“Quando o HUT está cheio de vítimas de acidentes, deixamos de atender outros pacientes que também precisam de urgência. A prevenção ajuda toda a sociedade”, destacou.
Prevenção e conscientização são essenciais
Para o diretor clínico, a redução observada neste ano deve servir como incentivo para manter campanhas educativas e fiscalização constante.
“Cada vida poupada é uma vitória. O trânsito seguro depende de respeito e responsabilidade”, concluiu.






