Três piauienses de Campo Maior foram presos, na tarde de sábado (4.10), pela Guarda Civil Municipal, (GCM), de Chapadinha, no Maranhão, após serem flagrados com um caminhão carregado de jumentos, que, segundo as investigações, teriam sido furtados na zona rural do município.

A ação ocorreu após denúncias de moradores da cidade que perceberam o caminhão recolhendo os animais de forma suspeita. A equipe da GCM iniciou buscas e conseguiu interceptar o veículo com os campo-maiorenses.
De acordo com o inspetor Monteles, da Guarda Municipal, há suspeita de que os animais seriam abatidos e a carne vendida ilegalmente em Campo Maior.
Essa prática está sendo investigado pela Polícia Civil do Maranhão, com colaboração da PC do Piauí. Os suspeitos e o caminhão foram levados para a Delegacia Regional de Chapadinha, para os depoimentos aos investigadores.
O ABATE E A EXTINÇÃO
O costume chinês de consumir uma gelatina medicinal chamada eijao – remédio preparado com a pele dos jumentos – representa ameaça à existência desses animais, uma vez que a demanda pelo produto tem crescido ano após ano.
Especialistas debateram as formas de preservar os animais durante o 3º Workshop Jumentos do Brasil, que ocorreu no final de setembro desse ano.
Segundo a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, de 1996 a 2025, o Brasil perdeu 94% de seu rebanho de asininos, que são os burros, bestas e jumentos.
A preocupação não é nova. Em 2021, um estudo publicado na Revista Brasileira de Pesquisa Veterinária e Ciência Animal, da Universidade de São Paulo (USP), alertou que o Brasil não tem fazendas de reprodução de jumentos e que, no atual ritmo de abate, a população local entraria em extinção.
Em 2024, um relatório da The Donkey Sanctuary, organização internacional voltada à proteção desses animais, mostrou que a demanda por pele de jumentos cresceu 160% de 2016 a 2021. Em 2021, para atender à demanda pelo ejiao, o remédio, foi necessário o abate de 5,6 milhões de indivíduos.
A estimativa é que a demanda continue crescendo e que, em 2027, serão abatidos 6,8 milhões de jumentos. O comércio, segundo a Donkey Sanctuary, ameaça não apenas o rebanho no Brasil, mas em todo o mundo.

Fonte: O Parnaibano e Agência Brasil.






