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Escândalo de rachadinha atinge o gabinete de Hugo Motta

A investigação identificou ao menos 10 pessoas que trabalharam ou ainda trabalham no gabinete de Motta e que concederam tais autorizações.

247 – Um novo escândalo de rachadinha atinge o gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). De acordo com reportagem do Metrópoles , assinada por Tácio Lorran, a chefe de gabinete do parlamentar, Ivanadja Velloso Meira Lima, é ré em ação de improbidade administrativa do Ministério Público Federal (MPF) e detém procurações que lhe conferem “poderes ilimitados” para sacar salários e movimentar contas de servidores e ex-servidores da Casa.

A investigação identificou ao menos 10 pessoas que trabalharam ou ainda trabalham no gabinete de Motta e que concederam tais autorizações. O valor somado das remunerações desses funcionários ultrapassa R$ 4 milhões, apenas no período em que estiveram lotados junto ao deputado paraibano.

Procurações para saques e movimentações

As procurações foram registradas desde 2011, ano em que Hugo Motta iniciou sua trajetória como deputado federal. Em oito delas, consta de forma explícita a autorização para Ivanadja receber salários em nome dos assessores. Dois servidores que assinaram os documentos permanecem empregados atualmente.

Entre os casos mais graves está o de Ary Gustavo Xavier Guedes Soares, motorista e caseiro da fazenda de Motta na Paraíba, que já recebeu mais de R$ 1,1 milhão da Câmara. Apenas seis dias após sua nomeação, ele assinou procuração permitindo que Ivanadja movimentasse sua conta bancária. Outro exemplo é o de Jane Costa Gorgônio, secretária parlamentar de 69 anos, que desde 2012 também concedeu plenos poderes à chefe de gabinete.

Histórico de denúncias contra Ivanadja Velloso

Metrópoles recorda ainda que Ivanadja é ré em outro processo por improbidade, também movido pelo MPF, relacionado ao gabinete do deputado Wilson Santiago (Republicanos-PB), aliado de Motta. Nesse caso, a chefe de gabinete teria movimentado a conta de um funcionário fantasma que desconhecia até mesmo o valor do seu salário.

Em sua defesa, Ivanadja alegou que não há provas de enriquecimento ilícito e que a acusação se baseia apenas em presunções.

Acúmulo irregular de cargos e indícios de funcionários fantasmas

A reportagem aponta que, em diversos casos, os assessores acumulavam funções incompatíveis com a carga de trabalho exigida pela Câmara. Maria Socorro de Oliveira, por exemplo, esteve simultaneamente lotada no gabinete de Hugo Motta e no governo da Paraíba, em claro conflito com as normas constitucionais e internas do Legislativo.

Outros assessores com vínculos suspeitos também assinaram procurações. É o caso de Valdirene Novo dos Reis, conhecida como “Loura de Nêgo”, alvo da Operação Recidiva da Polícia Federal, e de Kelner Araújo de Vasconcelos, denunciado na Operação Veiculação por desvios em contratos de transporte escolar.

A família Pagidis e a rede de beneficiados

Outro ponto destacado pela investigação é o da família Pagidis, que teve cinco integrantes nomeados no gabinete do presidente da Câmara. Apenas a fisioterapeuta Gabriela Batista Pagidis recebeu R$ 807,5 mil entre 2017 e 2025, período em que conciliava o cargo público com atendimentos em clínicas particulares e atividades de lazer em horário de expediente. No total, a família acumulou mais de R$ 2,8 milhões em salários pagos pela Câmara.

Silêncio dos envolvidos

Procurados pelo MetrópolesHugo Motta e Ivanadja Velloso não se manifestaram. Diversos funcionários também se recusaram a responder sobre o destino de seus salários.

O escândalo revela novamente as brechas no sistema de contratação da Câmara dos Deputados, que permite a cada parlamentar manter até 25 secretários parlamentares com salários que podem ultrapassar R$ 18 mil. A fiscalização da frequência e do trabalho, entretanto, é de responsabilidade do próprio deputado, o que abre margem para esquemas de rachadinha e para a prática de funcionários fantasmas.

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