
Por meio da voz embargada do líder comunitário Ricardo Campos, veio à tona o drama vivido por dona Isabel, uma mulher marcada por uma sequência brutal de violências, perdas e injustiças. O relato, feito em entrevista, revela uma realidade de abandono social e institucional.
Dona Isabel foi vítima de violência doméstica e psicológica por parte do próprio marido, que também cometeu um dos crimes mais cruéis: o estupro das duas filhas do casal, dentro da própria casa. A violência, praticada por quem deveria proteger, marcou profundamente a vida da família.
O agressor morreu de forma trágica, eletrocutado enquanto realizava um trabalho informal em um poste de energia. Com a morte do marido, Isabel se viu viúva e sem qualquer tipo de amparo financeiro. Sem acesso à aposentadoria, pensão ou benefício assistencial, passou a enfrentar extrema vulnerabilidade.
Nos últimos meses, a situação ficou ainda mais grave. Segundo o relato de Ricardo Campos, familiares do falecido entraram na Justiça, conseguiram invadir a casa onde dona Isabel vivia e levaram os poucos bens que restavam: televisão, utensílios domésticos e objetos de uso pessoal. “Ela ficou sem nada”, lamentou Ricardo, visivelmente emocionado. “Agradeço por poder dar voz a esse sofrimento. Um grande abraço, meu rei”, concluiu.
O caso de dona Isabel escancara a fragilidade da rede de proteção às mulheres em situação de violência no Brasil. Também levanta sérias questões sobre o acesso à Justiça e a ausência de suporte social a vítimas que enfrentam, sozinhas, as consequências de uma vida marcada por traumas.
Histórias como a de dona Isabel não são exceção. São muitas as mulheres que resistem diariamente à violência, ao abandono e à ausência de políticas públicas efetivas. É urgente que o poder público e a sociedade civil se mobilizem para garantir amparo, justiça e dignidade a essas vozes que ainda lutam para serem ouvidas.
Fica aqui um apelo às autoridades municipais, estaduais e federais: que não se fechem os olhos para o sofrimento das Isabels espalhadas pelo país. Que se fortaleçam os serviços de acolhimento, os centros de apoio jurídico e psicológico, os auxílios emergenciais e, sobretudo, a proteção real e contínua às mulheres em situação de vulnerabilidade.
O caso de dona Isabel é, infelizmente, o retrato de uma sociedade que ainda normaliza o silêncio da vítima, que demora a agir, e que, muitas vezes, pune mais quem sobrevive do que quem comete os crimes. Dar voz a essas histórias é urgente, necessário e humano.






